A Rússia e seu principal aliado, Belarus, iniciaram nesta sexta-feira (12) os exercícios militares conjuntos "Zapad", que acontecem a cada quatro anos. A manobra, que vai até terça-feira (16), é vista com preocupação pela Otan, especialmente após a Polônia acusar o Kremlin de aprofundar as tensões com uma recente incursão de drones em seu espaço aéreo. Os exercícios coincidem com a intensificação dos bombardeios russos na Ucrânia, onde Moscou afirmou ter derrubado 221 drones ucranianos.
O Ministério da Defesa russo anunciou o início das manobras, que, segundo as autoridades de Belarus, ocorrem perto da cidade de Borisov, a leste da capital Minsk. O Exército russo também informou que "ações práticas" serão realizadas em território russo, no Mar de Barents e no Mar Báltico.
Tensão na fronteira
A organização dos exercícios elevou o nível de alerta em países da Otan que fazem fronteira com Belarus, como Polônia, Lituânia e Letônia. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, alertou para "dias críticos" e ordenou o fechamento total da fronteira com Belarus até o final das manobras. Lituânia e Letônia também anunciaram fechamentos parciais do espaço aéreo.
As tensões atingiram o auge na quarta-feira, com a incursão de pelo menos 19 drones no espaço aéreo polonês, que levou Varsóvia a acusar a Rússia de uma "incursão deliberada", algo negado pelo Kremlin. O porta-voz russo, Dmitri Peskov, declarou que as manobras são "exercícios planejados" e "não são direcionadas contra ninguém".
Simulação de ataque
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, questionou as intenções da Rússia, afirmando que os exercícios não são "defensivos". Embora as manobras de 2025 sejam consideravelmente menores do que as de 2021, a presença de armas nucleares táticas russas em Belarus adiciona uma nova dimensão à situação. Minsk afirmou que os exercícios incluiriam o novo míssil experimental russo com capacidade nuclear, o Oreshnik.
Donald Tusk, da Polônia, expressou a preocupação de que o objetivo das manobras seja simular a ocupação do corredor de Suwalki, uma área estratégica entre a Polônia e a Lituânia. Essa região, que é frequentemente vista como um ponto fraco da Otan, poderia ser o primeiro alvo de um possível ataque russo, embora o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, tenha classificado o temor como "bobagem absoluta".