Nawal al-Masri, de 51 anos, com véu e bata pretos, perdeu o ateliê de costura. "Está tudo destruído, todas as máquinas de costura foram roubadas, a geladeira e o gerador de eletricidade", relatou. "Só encontrei minhas tesouras dentro de uma cesta". O centro da terceira maior cidade da Síria agora está "seguro e totalmente livre de armas e de homens armados", afirmou o governador de Homs, Talal al-Barazi, segundo a agência oficial Sana.
Após a retirada de quase 2 mil pessoas, em sua grande maioria rebeldes, graças a um acordo inédito entre os beligerantes, o exército entrou nessa sexta-feira, pela primeira vez em dois anos, na parte antiga da cidade, depois de um cerco e de intensos bombardeios que devastaram os insurgentes. Alguns habitantes se recusaram a fazer declarações. "Me deixe em paz", disse um homem, tentando conter as lágrimas, enquanto empurrava um carro com peças de seu automóvel.
Homs, considerada a "capital da revolução", marcou o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, que virou uma guerra civil que em três anos provocou mais de 150 mil mortes e deixou 2,6 milhões de refugiados.