A líder opositora María Corina Machado afirmou que a saída da Venezuela do candidato à presidência Edmundo González Urrutia, que chegou à Espanha neste domingo, foi necessária para "preservar sua liberdade e sua vida", em meio a uma "brutal onda de repressão".
"A vida dele corria perigo, e as crescentes ameaças, intimações, mandados de prisão e, inclusive, tentativas de chantagem e coação a que foi submetido demonstram que o regime não tem escrúpulos nem limites em sua obsessão em silenciá-lo e tentar subjugá-lo", escreveu Machado na rede social X. "Diante da realidade brutal, é necessário para nossa causa preservar sua liberdade, sua integridade e sua vida", completou.
O avião da Força Aérea Espanhola que transportava González, que viajou com a esposa, pousou na base Torrejón de Ardoz, perto de Madri, pouco depois das 16h locais (11h de Brasília), informou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
A saída da Venezuela de González Urrutia, um diplomata de 75 anos, acontece em meio a uma crise iniciada com as eleições presidenciais nas quais Maduro foi oficialmente reeleito para um terceiro mandato de seis anos, apesar das denúncias de fraude apresentadas pela oposição.
"Hoje é um dia triste para a democracia na Venezuela", afirmou o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, em um comunicado no qual destaca que "na democracia, nenhum líder político deveria ser forçado a buscar asilo em outro país".
"A UE insiste que as autoridades venezuelanas acabem com a repressão, as detenções arbitrárias e o assédio contra membros da oposição e da sociedade civil, assim como libertem todos os presos políticos", acrescenta a nota.
González, que estava escondido desde 30 de julho, passou um período na embaixada da Holanda em Caracas antes de seguir para a embaixada da Espanha em 5 de setembro, explicou Borrell.
O candidato opositor reivindica a vitória nas eleições que, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), terminaram com a reeleição de Maduro. O CNE não divulgou as atas de votação de cada seção eleitoral, com a lei exige, alegando que seu sistema foi alvo de um ataque de hackers.
Controvérsia
A oposição liderada por María Corina Machado afirma que o site no qual digitalizaram as cópias das atas de votação obtidas por testemunhas nas seções eleitorais comprova a vitória de González Urrutia com mais de 60% dos votos.
O governo afirma que o material é fraudulento e repleto de inconsistências. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou que fará "declarações importantes" em uma entrevista coletiva neste domingo.
Estados Unidos, União Europeia e vários países da América Latina rejeitaram o resultado anunciado pelo CNE e pediram uma verificação dos votos. A proclamação da vitória de Maduro, com 52% dos votos, desencadeou protestos em todo o país que deixaram 27 mortos, 192 feridos e 2.400 detidos.