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Saúde do papa melhora e Vaticano cogita fim de hospitalização

Exames confirmam consolidação das melhoras registradas nos últimos dias

Estado clínico do jesuíta de 88 anos "segue estável", mas complexo
Estado clínico do jesuíta de 88 anos "segue estável", mas complexo Foto : AFP

O papa Francisco, que está hospitalizado há mais de três semanas devido a uma pneumonia, apresenta melhora e seus avanços se "consolidaram", motivo pelo qual os médicos decidiram nesta segunda-feira, 10, que seu prognóstico deixa de ser reservado e estimaram que ele precisará permanecer ‘por mais alguns dias’ no hospital."

As melhoras registradas nos dias anteriores se consolidaram ainda mais, como confirmam as análises de sangue, a objetividade clínica e a boa resposta à terapia farmacológica. Por essas razões, os médicos decidiram hoje suspender o prognóstico reservado", indicou o Vaticano no boletim médico da noite desta segunda-feira.

O estado clínico do jesuíta de 88 anos "segue estável", mas "dada a complexidade do quadro clínico e o importante quadro infeccioso apresentado no momento da internação, será necessário continuar a terapia médica farmacológica em ambiente hospitalar por mais alguns dias", acrescentou o comunicado, dando a entender que o pontífice argentino poderá deixar o hospital em breve.

Horas antes do anúncio sobre a retirada do prognóstico reservado, uma fonte vaticana afirmou que era "cedo demais para falar sobre seu retorno à Santa Marta", a residência onde vive na Santa Sé. O líder espiritual dos católicos do mundo foi internado no hospital Gemelli, em Roma, em 14 de fevereiro, onde sofreu várias crises respiratórias, a última há sete dias.

O Vaticano informou na manhã desta segunda-feira que Francisco havia passado "uma noite tranquila" em sua suíte no décimo andar do hospital e que passaria o dia realizando terapia física e respiratória. Nesta segunda-feira, como em manhãs anteriores, também trocaram sua máscara de oxigênio, que ele usa todas as noites, por uma cânula nasal de alto fluxo, um suporte mais leve. Durante a permanência no hospital, o papa tem trabalhado de forma intermitente e acompanhado as notícias sempre que possível, incluindo as inundações que afetaram seu país natal, a Argentina.

Nesta segunda-feira, o pontífice expressou sua dor em um telegrama em memória das vítimas: "Entristecido ao saber do desastre natural que está afetando a região de Bahía Blanca e que causou tantas vítimas e danos materiais".

"Ofereço fervorosas orações pelo eterno descanso dos falecidos. Também quero demonstrar minha proximidade espiritual a toda a população", escreveu em espanhol. A tempestade que atingiu essa cidade argentina na sexta-feira deixou pelo menos 16 mortos, uma centena de desaparecidos e perdas milionárias.

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Agradecimento aos médicos

O papa tem enfrentado diversos problemas de saúde nos últimos anos, incluindo uma cirurgia no cólon em 2021 e outra para tratar uma hérnia em 2023. No entanto, esta é sua internação mais longa e grave desde o início de seu papado, em 2013. Em outras ocasiões, Francisco apareceu na sacada do hospital Gemelli para a oração dominical do Ângelus, mas desta vez já faz quatro semanas que ele tem enviado a mensagem por escrito, em vez de pronunciá-la do Palácio Apostólico, situado na Praça de São Pedro.

No domingo ao meio-dia, o pontífice agradeceu ao pessoal médico em uma mensagem. "Irmãos e irmãs, nesta minha longa hospitalização, eu também experimento o cuidado dedicado e a ternura na assistência, especialmente por parte dos médicos e profissionais de saúde, a quem agradeço de coração", escreveu. O papa não foi visto em público desde sua internação no hospital.

Sua única mensagem direta foi um áudio publicado na quinta-feira em espanhol, no qual, com voz cansada e respiração entrecortada, agradeceu as orações por sua recuperação. Até agora, os médicos não haviam se pronunciado sobre a duração da internação nem sobre o tempo necessário para a recuperação de Jorge Bergoglio. "

A esperança de que o papa se recupere está sempre presente em nós", disse no domingo à AFP Matteo Peafrini, voluntário da Proteção Civil da região da Lombardia, que participava de uma missa multitudinária no Vaticano.