A resolução do Conselho de Segurança da ONU que impõe novas sanções ao Irã por seu programa nuclear é uma "vitória de Pirro", disse nesta quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma visita a Natal. "É um episódio que enfraquece o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Conselho de Segurança representa uma correlação de forças de 1948 quando foi criado", lembrou o presidente, que busca uma reforma na composição do organismo, o mais importante da hierarquia diplomática internacional.
"Estou triste porque todos no Conselho estão a favor da reforma. Todo mundo diz que o Brasil deve ser parte do Conselho, mas isto já leva 17 anos", assinalou Lula, que pretende um assento permanente no Conselho de Segurança, hoje limitado a Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.
No total, o Conselho reúne 15 membros, sendo cinco permanentes e dez não permanentes. "A geografia econômica do mundo mudou e nós queremos que a ONU tenha gente da América Latina, da Ásia".
Voltando à crise nuclear iraniana, Lula disse que "sinceramente, espero que Ahmadinejad permaneça tranquilo". "Conversei muito com o primeiro-ministro da Turquia e decidimos votar contra (as sanções ao Irã) porque temos nosso nome no acordo".
"Acredito que devemos ter paciência quando constatamos o óbvio. Brasil e Turquia fizeram o que os países do Conselho da ONU não conseguiram fazer: levar o Irã à mesa de negociações. Ao contrário, eles resolveram, por capricho, manter as sanções...".
O chanceler Celso Amorim também não economizou críticas à decisão do Conselho de Segurança: "Não acreditamos em sanções. Esta é a quarta rodada de sanções contra o Irã. As outras três já não tiveram qualquer efeito e não vejo porque esta nova terá. Minha convicção profunda é que não trará qualquer resultado, apenas vai gerar mais desconfiança".
Para Amorim, o acordo promovido por Brasil e Irã não foi discutido pelo Conselho de Segurança "porque os promotores das sanções já tinham decidido por sua aplicação, e o entendimendo firmado com o Irã tornaria mais difícil aprovar novas sanções mais adiante. Já estavam decididos".
Lula assinou no dia 17 de maio em Teerã um acordo tripartite junto com a Turquia, que prevê a troca de urânio levemente enriquecido iraniano por urânio enriquecido a 20% em território turco, para ser utilizado em um reator nuclear de pesquisas no Irã.
O pacto foi friamente recebido pela comunidade internacional e particularmente pelas potências nucleares que, com Estados Unidos na liderança, seguiram impulsionando sanções ao regime iraniano, do qual suspeitam que busca a criação de uma bomba atômica. O Irã anunciou horas depois do acordo assinado com Brasil e Turquia que continuaria enriquecendo urânio em seu território, e confirmou a atitude nesta quarta-feira após a aprovação das sanções pela ONU.
Sanções ao Irã na ONU são "vitória de Pirro", afirma Lula
Chanceler Celso Amorim também não economizou críticas à decisão do Conselho de Segurança