A primeira-ministra Sanae Takaichi reafirmou nesta segunda-feira (9) que o Japão escolheu uma "mudança importante de política" após seu partido, o Liberal Democrata (PLD), conquistar uma vitória acachapante nas eleições antecipadas.
Projeções indicam que a coalizão governista obteve 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa. O resultado confere à primeira mulher a governar o país um mandato sólido de quatro anos para implementar uma agenda focada no fortalecimento militar e em reformas conservadoras.
Alinhamento com Trump
A vitória foi celebrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que manifestou apoio à estratégia de Takaichi baseada no conceito de "paz por meio da força". Em resposta, a premiê destacou a "unidade inabalável" entre as nações e planeja uma visita oficial aos Estados Unidos em breve.
Internamente, Takaichi foca no aumento dos gastos com defesa e em uma possível reforma constitucional, além de endurecer normas migratórias, buscando o melhor desempenho do PLD desde 2017.
Tensões com a China e o fator Taiwan
No campo diplomático, Takaichi é vista como um "falcão" em relação a Pequim. Suas declarações anteriores sobre uma possível intervenção militar em defesa de Taiwan provocaram uma reação imediata da China, que prometeu hoje uma "resposta contundente" caso o Japão adote ações imprudentes. Embora a premiê se diga aberta ao diálogo sereno, o governo chinês já havia convocado o embaixador japonês e organizado exercícios militares com a Rússia em sinal de protesto.
Desafios econômicos e inflação
Apesar do sucesso eleitoral, a estabilidade de Takaichi depende da gestão da economia, pressionada por uma dívida pública recorde e inflação crescente. Para mitigar o descontentamento popular, a premiê prometeu suspender o imposto sobre o consumo de alimentos e já aprovou um pacote de estímulo de 135 bilhões de dólares.
O mercado financeiro acompanha com cautela a subida dos juros dos títulos de longo prazo, que atingiram patamares históricos nas últimas semanas.