O dia histórico para Hillary Clinton, indicada pelos democratas como primeira mulher a concorrer à presidência dos Estados Unidos por um grande partido, foi marcado pela elegância do rival Bernie Sanders nesta terça-feira na Filadélfia. O ex-senador mostrou lealdade ao partido em busca de "curar as feridas" geradas durante a campanhar pela nomeação. Foi ele próprio que, representando o estado de Vermont, abriu mão da sua candidatura e apresentou a moção de declaração de Hillary como candidata oficial do partido.
"Apresento a moção de suspender as regras (...) A moção de que Hillary Clinton seja escolhida como a indicada pelo Partido Democrata para presidente dos Estados Unidos", informou Sanders. Em meio a uma ovação ensurdecedora, a responsável pela condução da sessão fez uma rápida consulta com os delegados e a moção de Sanders foi aprovada por aclamação.
Apesar do apoio, na campanha pela Casa Blanca, Hillary enfrentará o polêmico e carismático multimilionário Donald Trump, que há uma semana foi indicado formalmente como candidato do conservador Partido Republicano. Depois dos atritos, na segunda-feira, entre os apoiadores de Hillary e os de Sanders na convenção, havia temores de que a votação desta terça-feira se convertesse em um duelo aberto.
Mas o dramático apelo à unidade partidária para garantir a vitória de Clinton e impedir que Trump chegue à Casa Branca, feito por Sanders na véspera, parece ter tido efeito, e a votação transcorreu sem nenhuma vaia. "Não é um segredo que Hillary Clinton e eu discordamos de muitas coisas. Mas é disto que se trata, precisamente, uma campanha. Isto é a democracia", disse o senador na véspera.
Quando Sanders tomou a palavra nesta terça-feira para propor a moção de interromper a sessão e declarar Hillary vencedora, recebeu uma espetacular ovação generalizada e um coro de "Bernie, Bernie!" que durou vários minutos no pequeno estádio Wells Fargo Center. Sanders, cujos seguidores nas primárias resistiram a apoiar Clinton, se reuniu na manhã desta terça-feira com delegados do estado da Califórnia.
"O que devemos fazer agora é derrotar Donald Trump e eleger Hillary Clinton. Ou mais tarde olharemos para trás apenas para nos arrependermos", disse o senador ante delegados que não pareciam muito convencidos. "Na minha opinião, é fácil demais vaiar, mas é mais difícil olhar o rosto das crianças que terão que viver sob uma presidência de Trump", acrescentou Sanders, que nas primárias se converteu no representante dos eleitores irritados com o rumo do partido.
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