O chefe da Casa Civil da presidência da Argentina, Abal Medina, disse que setores do sindicalismo, opositores ao governo, estariam por trás das ações, e que elas seriam "isoladas e organizadas". Entre os responsáveis pelos saques estariam sindicalistas que apoiaram o panelaço do dia 8 de novembro e lideraram uma greve geral em 20 de novembro, além de uma manifestação na quarta-feira em Buenos Aires.
Em entrevista à agência de notícias inglesa BBC, o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, disse que a Argentina vive "uma crise mais política do que econômica". Ela envolveria questões locais, como o conflito entre o governo e o Grupo Clarin de comunicação e as disputas do governo com a Justiça. Outra área de atrito é a decisão da oposição de se unir contra a ideia de reforma da Constituição, a fim de impedir espaço à segunda reeleição Cristina Kirchner.
De acordo com a agência de notícias da argentina Telam, organizações de direitos humanos têm manifestado repúdio aos ataques ocorridos em supermercados, e pedem que a Justiça encontre os responsáveis “ideológicos e materiais” dos ataques.
A agência argentina informou que uma declaração das Mães e Avós da Praça de Maio associa os saques ao objetivo “de levar o país de volta à Argentina que não queremos voltar", e que tais eventos “não parecem espontâneos, mas organizados sugestivamente”. O grupo reúne parentes de presos e desaparecidos durante a ditadura argentina.
A Telam informa que o ministro da Segurança e da Justiça de Buenos Aires, Ricardo Casal, disse que os saques em supermercados “são claramente organizados e premeditados, inclusive por meio de redes sociais”. O governador da província de Río Negro, Alberto Weretilnek, disse que os saques não estão ligados à questão social. "Quebrar vitrines para roubar uma televisão é (algo cometido) por outros motivos", afirmou.
Nessa sexta, o governo enviou 400 policiais a Bariloche. O prefeito Omar Goye disse que a cidade vive “um problema social que tem muitos anos". A crise foi agravada pelos efeitos das cinzas de um vulcão que entrou em erupção no ano passado.