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Sarkozy é interrogado pelo segundo dia por suspeita de financiamento ilícito

Apesar de não terem provas, juízes investigam acusações da Líbia

Apesar de não terem provas, juízes investigam acusações da Líbia
Apesar de não terem provas, juízes investigam acusações da Líbia Foto : Frederick Florin / AFP / CP
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi interrogado nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, sobre o suposto financiamento ilegal de sua campanha eleitoral de 2007 com dinheiro do regime líbio, na época governado por Muamar Khadafi - informaram fontes próximas à investigação.

Sarkozy chegou pouco depois das 8h (4h de Brasília) ao Escritório Central de Luta contra a Corrupção e as Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF) de Nanterre, na região de Paris. O ex-presidente (2007-2012) foi detido na manhã da última terça-feira para ser interrogado e liberado durante a noite. Sarkozy, de 63 anos, pode permanecer em detenção provisória por até 48 horas.

Ao final deste período, o ex-presidente pode ser liberado, convocado para uma data posterior, ou ter uma audiência com um juiz para um indiciamento formal. O caso teve início em 2012, quando o jornal Mediapart publicou um documento do ex-diretor do serviço de Inteligência da Líbia, segundo o qual o regime de Muamar Khadafi aceitou financiar com 50 milhões de euros a campanha presidencial de 2007 de Sarkozy.

Brice Hortefeux, um político ligado a Nicolas Sarkozy e que foi seu ministro do Interior, também foi interrogado no mesmo dia até o fim da noite, mas não foi detido. "Estou depondo em uma audiência livre. As explicações permitirão encerrar uma sucessão de erros e mentiras", escreveu no Twitter.

Maletas de dinheiro em espécie

As suspeitas sobre Sarkozy se baseiam em testemunhos e operações obscuras, mas os juízes que investigam este caso há cinco anos ainda não obtiveram qualquer prova. Em março de 2011, quando a França acabava de reconhecer a oposição do regime líbio como único interlocutor, o filho de Khadafi, Seif al Islam, lançou a primeira acusação: "Sarkozy deve devolver o dinheiro!". A afirmação foi feita sem a apresentação de provas.

Outro testemunho capital é o do suposto intermediário dessas operações, o franco-libanês Ziad Takieddine. Em entrevista em 2016 ao Mediapart, ele admitiu ter entregue três malas cheias de dinheiro em espécie do líder líbio em 2006 e em 2007 para ajudar Sarkozy a chegar ao Eliseu. Nicolas Sarkozy sempre negou as acusações.

Os magistrados investigam essas alegações, assim como uma transferência estrangeira de 500 mil euros para Claude Guéant, aliado de Sarkozy, em 2008, e a venda de uma mansão no sul da França, em 2009, para um fundo de investimento líbio administrado por Bashir Saleh, ex-secretário particular de Khadafi, por um preço supostamente inflado.

Segundo a agência anticorrupção francesa, durante a campanha presidencial de 2007, circularam quantias importantes de dinheiro em espécie na equipe do então candidato. "Todo o mundo vinha recolher seu envelope", contou um ex-funcionário da campanha no informe do órgão anticorrupção, ao qual a AFP teve acesso. O tesoureiro de campanha Eric Woerth afirma, porém, que esse dinheiro foi fornecido por doadores anônimos.

Esta não é a primeira vez que Sarkozy é interrogado em um caso judicial. Em julho de 2014, foi o primeiro ex-presidente francês a ser detido para interrogatório em um caso de suspeita de tráfico de influência. Também é citado em outros casos. Foi liberado em alguns, mas pode ir a julgamento por outros.