Depois da vitória apertada no primeiro turno, o candidato da situação argentina, Daniel Scioli, pediu nesta segunda-feira o voto de seus adversários da centro-direita e da esquerda no segundo turno e propôs ao opositor Mauricio Macri o debate que não fizeram na campanha. Scioli afirmou que em 22 de novembro se enfrentarão "duas visões de país", a que ele propõe, oferecendo continuidade de "desenvolvimento e inclusão social com forte presença do Estado", e a de Macri, que se inclina "pelo livre mercado e políticas de endividamento que nos faz lembrar do passado", disse, em coletiva de imprensa.
O candidato apoiado pela presidente peronista de centro-esquerda Cristina Kirchner parecia mais tranquilo do que na noite de domingo, quando sofreu um golpe inesperado, com a confirmação de que disputará um segundo turno com Macri, segundo colocado com apenas três pontos de diferença. Com 97,17% das urnas apuradas, Scioli tinha 36,86% dos votos e Macri, com a frente Cambiemos, 34,33%.
Nenhum dos candidatos conseguiu reunir 45% dos votos nem os 40% e uma diferença de dez pontos sobre o adversário para vencer no primeiro turno. "Hoje começa uma nova eleição, por isso convoco todos os argentinos", entre eles os 5 milhões de eleitores (21,2%) de Sergio Massa, o peronista de centro-direita que, com sua Frente Renovadora, ficou em terceiro lugar e se tornou o árbitro virtual do segundo turno.
Scioli afirmou que os votos de Massa "estão mais distantes de Macri" pelo projeto de país que propõem e estendeu a mão aos eleitores dos outros presidenciáveis que ficam de fora do pleito no domingo: o peronista de centro-direita Adolfo Rodríguez Saá, a social-democrata Margarita Stolbizer e o trotskista Nicolás del Caño.
Scioli desafiou Macri a participar de um debate antes do segundo turno de novembro. "A sociedade nos exige uma convivência democrática. Parece importante que tenhamos um debate", disse, destacando que ele já o tinha proposto a Macri, o prefeito direitista de Buenos Aires, de 56 anos.
O convite de Scioli soou estranho, pois ele foi o único dos seis candidatos às presidenciais de domingo que faltou ao debate entre os aspirantes à Presidência, celebrado em 4 de outubro na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires. A organização Argentina Debate, que preparou aquele confronto, informou nesta segunda-feira que já convidou os dois candidatos a debater no dia 15 de novembro às 21H00 no mesmo lugar.
"Hoje tenho mais fé e otimismo do que nunca de que os argentinos vão me apoiar. Sei que não querem uma mudança para o passado", afirmou Scioli em meio a aplausos de seguidores em um hotel do centro da capital.
Scioli pede voto de excluídos no segundo turno na Argentina
Votação acontecerá dia 22 de novembro