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Secretário norte-americano chega ao Brasil após denúncias de espionagem

John Kerry deve se encontrar com Dilma em Brasília

John Kerry deve se encontrar com Dilma em Brasília
John Kerry deve se encontrar com Dilma em Brasília Foto : Luis Acosta / AFP / CP
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, de 69 anos, passa esta terça-feira em Brasília para uma série de reuniões. A visita dele ocorre em um momento delicado das relações entre o Brasil e os Estados Unidos, pois há pouco mais de um mês surgiram as denúncias de que agências norte-americanas monitoravam cidadãos em vários países, inclusive no Brasil. Assessores que preparam a visita, garantem, porém,que o mal-estar não ofuscará a discussão de vários temas bilaterais comuns – como inovação, tecnologia e ciência.

Uma equipe de funcionários do governo dos Estados Unidos passou a manhã de ontem no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, para rastrear os locais por onde o secretário passará. Os norte-americanos querem garantir que há segurança suficiente em caso de protestos mais intensos, como o ocorrido em junho quando o Itamaraty foi alvo de vândalos que destruíram vidraças e algumas peças do prédio.

No Itamaraty, entretanto, a segurança para a visita de Kerry será a mesma organizada para todos os chanceleres estrangeiros. O esquema é feito por seguranças internos, que trabalham rotineiramente no Itamaraty, pela guarda de representação que é formada por fuzileiros navais e pela Polícia Militar, que é responsável pela segurança do lado de fora do prédio.

Encontro com Dilma

Kerry chega ao Brasil, depois de passar pela Colômbia. Até ontem a noite ainda estava sendo negociado um encontro dele com a presidente Dilma Rousseff na tarde de hoje. Em Brasília, Kerry tem reunião, às 9h, na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, depois conversa com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e segue para o Itamaraty, para encontros com o chanceler Antonio Patriota. Ele concederá entrevista coletiva às 13h.

O secretário norte-americano está no Brasil no momento em que as autoridades brasileiras aguardam mais informações dos Estados Unidos sobre o monitoramento de dados de cidadãos nos meios de comunicação, conforme denunciou Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada que prestava serviços para a Agência de Segurança Nacional (NSA).

Críticas a Kerry

No cargo há seis meses, Kerry provocou críticas dos governos latino-americanos ao se referir à América Latina como “quintal”. Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Correa, reagiram aos comentários cobrando explicações. Mas as autoridades brasileiras preferiram minimizar os efeitos do comentário, ao interpretar que houve uso indevido de palavra e não uma agressão.

O esforço dos assessores brasileiros e norte-americanos é para que a visita de Kerry tenha resultados positivos. Nos últimos cinco anos, o fluxo de comércio entre os Estados Unidos e o Brasil aumentou 11,3%, passando de US$ 53,1 bilhões para 59,1 bilhões de dólares. Os Estados Unidos são o país com maior estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil, somando 104 bilhões de dólares em 2010. Em 2012, os Estados Unidos foram o maior investidor estrangeiro no Brasil.

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