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Sede de negociações entre Irã e Estados Unidos vira cidade fantasma no Paquistão

Hotéis de luxo que hospedarão as delegações evacuaram seus hóspedes habituais

Sede de negociações entre Irã e Estados Unidos vira cidade fantasma no Paquistão
Sede de negociações entre Irã e Estados Unidos vira cidade fantasma no Paquistão Foto : Aamir Qreshi / AFP

O Paquistão se prepara para receber delegações do Irã e dos Estados Unidos nesta sexta-feira (10) para negociações que agora estão em risco devido aos ataques israelenses ao Líbano, que deixaram mais de 300 mortos na quarta-feira e ameaçam o cessar-fogo.

Aguardando a chegada dos negociadores, Islamabad se transformou em uma cidade fantasma sob forte esquema de segurança. As autoridades decretaram feriados na quinta e sexta-feira, e os hotéis de luxo que hospedarão as delegações evacuaram seus hóspedes habituais.

A delegação americana será chefiada pelo vice-presidente JD Vance. Segundo a Casa Branca, as reuniões acontecerão no sábado e contarão também com a presença do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, genro de Donald Trump.

Segundo a NBC News, o presidente americano está "muito otimista" quanto à possibilidade de se chegar a um acordo.

Do lado iraniano, há mais incógnitas. O embaixador de Teerã no Paquistão anunciou na rede X que a delegação iraniana chegaria na noite de quinta-feira, mas depois apagou a mensagem.

Nesta sexta-feira, a agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte anônima, afirmou que "enquanto os Estados Unidos não respeitarem seu compromisso com o cessar-fogo no Líbano e o regime sionista continuar seus ataques, as negociações estão suspensas".

Mesmo que eventualmente se sentem à mesa de negociações, posições opostas em questões-chave dificultam um acordo.

Negociações diretas Israel-Líbano

A trégua anunciada na terça-feira interrompeu em grande parte as hostilidades que devastaram diversos países do Oriente Médio e perturbaram os mercados globais nas últimas cinco semanas.

No entanto, Israel intensificou sua ofensiva contra o Líbano. O país foi arrastado para o conflito pelo Hezbollah, que começou a atacar Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia da guerra.

A ONU e diversos países pediram que a trégua fosse estendida ao Líbano, onde mais de 300 pessoas morreram e mil ficaram feridas somente na quarta-feira.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou a abertura de "negociações diretas" com o Líbano, cujas autoridades exigem um cessar-fogo antes que qualquer conversa possa começar.

Um funcionário americano disse à AFP na quinta-feira que o Departamento de Estado em Washington sediará as negociações entre Israel e o Líbano na próxima semana.

O Hezbollah, que o governo libanês tenta desarmar sem sucesso, rejeitou essa iniciativa.

Desde o início do cessar-fogo, ataques iranianos também foram relatados nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, que na quinta-feira denunciou ataques com drones contra "várias instalações vitais".

Dada a fragilidade do cessar-fogo, prevalece a cautela nos mercados, onde o petróleo subiu ligeiramente nesta sexta-feira, embora ainda esteja abaixo de 100 dólares.