Sem acordo com oposição, governo boliviano não descarta eleições por decreto

Sem acordo com oposição, governo boliviano não descarta eleições por decreto

Medida já foi realizada anteriormente, no mandato do presidente provisório Eduardo Rodríguez Veltzé, em 2005

Por
Correio do Povo e Agência Brasil

Ministro da Presidência da Bolívia, Jerjes Justiniano, afirmo que ideia é não ficar no governo mais do que o tempo previsto na Constituição


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* Com informações da Agência Boliviana de Informação

O ministro da Presidência da Bolívia, Jerjes Justiniano, afirmou hoje que o governo da presidente autoproclamada do país, Jeanine Áñez, avalia a convocação de novas eleições por decreto, caso não haja acordo no Congresso com os representantes do partido de Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS). "Se percebermos que há dificuldades para convocar as eleições, uma das sugestões que o Ministério da Presidência fará é que convoquemos eleições imediatamente por meio de algum outro instrumento legal", disse.

A convocação de eleições por decreto já ocorreu antes na Bolívia, no mandato do presidente provisório Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006), e serve como jurisprudência para o atual governo. Apesar de governo e oposição afirmarem que querem paz e diálogo, ainda não se sabe como o Congresso se posicionará nos próximos dias. O MAS tem maioria no Senado e na Câmara e pode barrar votações importantes como a convocação de novas eleições.

"Nossa vontade é não permanecer no governo além do período estabelecido pela Constituição", afirmou Justiniano. As eleições gerais de 20 de outubro foram canceladas devido a graves irregularidades detectadas em auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA); portanto, os bolivianos devem retornar às urnas para eleger o presidente, vice-presidente e legisladores para o período 2020-2025.

A ministra das Relações Exteriores Karen Longaric destacou nesta segunda-feira o apoio de organizações internacionais ao governo da Bolívia para realizar as eleições "mais transparentes" da história do país. "Estamos todos muito empolgados em gerar as eleições mais transparentes da história da Bolívia e restaurar a credibilidade do povo. É a única maneira de consolidar instituições democráticas no país", afirmou.


Ela explicou que o governo enfrenta esse processo, facilitando a pacificação e a unidade do país para ter um "terreno fértil" com o objetivo de convocar as eleições. O Ministério das Relações Exteriores entrou em contato com as diferentes organizações internacionais que podem participar desse processo de diálogo sobre a paz. Estamos falando das Nações Unidas, da União Européia ... e da OEA, que nos fornecerá assistência técnica", afirmou.