A proposta foi aprovada pela Câmara na quarta-feira e chegou ontem à agenda do Senado. A oposição socialista propôs mais de mil emendas ao projeto aprovado no mês passado. O governo francês, como muitos governos altamente endividados da Europa, alega que elevar a idade mínima para a aposentadoria e melhorar o sistema previdenciário é vital para assegurar que as futuras gerações recebam o benefício.
Vários protestos marcaram a votação da reforma, no país. Na manhã de hoje, a tropa de choque da polícia desbloqueou a refinaria de Grandpuits, nos arredores de Paris, uma filial do grupo Total. Houve tumulto e três manifestantes ficaram feridos. O secretário de Segurança Pública da região ordenou, por decreto, que funcionários em greve na refinaria retornassem ao trabalho. O sindicato CGT denunciou o que chamou de "entrave ao direito constitucional de greve" devido à atitude do secretário.
Ontem, manifestantes bloquearam o aeroporto na cidade de Marselha e em Lyon jovens enfrentaram a polícia. Cerca de 25% dos postos de combustível sofrem com desabastecimento, apesar das ordens do presidente Nicolas Sarkozy para desbloqueio dos depósitos fechados pelos grevistas. Até a cantora Lady Gaga cancelou shows em Paris devido aos tumultos nos aeroportos.
Os novos episódios de violência registrados em Lyon ocorreram quando a polícia expulsava jovens que haviam virado um carro e atiravam garrafas pelas ruas. Os policiais tentaram conter a violência com gás lacrimogêneo enquanto um helicóptero policial sobrevoava a área. "Os encrenqueiros não terão a última palavras numa democracia", disse Sarkozy, prometendo encontrar e punir os desordeiros. Ele acusou os grevistas de "fazerem reféns a economia, os negócios e a vida cotidiana".
Os funcionários da Airbus e Hewlett Packard fizeram uma passeata pelas ruas da cidade de Toulouse, no sul do país, onde a universidade está fechada por causa dos protestos dos estudantes. Outras dez universidades também ficaram fechadas nesta quinta-feira. Em Estrasburgo, no leste, os manifestantes bloquearam uma eclusa no rio Reno.
O governo espera que, com o fim da votação do projeto no Senado, as manifestações que ocorrem pelo país afora, desde o início da semana, percam força. No entanto, os sindicatos convocaram ontem duas paralisações para os dias 28 de outubro e 6 de novembro, após o período de férias escolares que começa neste fim de semana.