O presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou, nesta segunda-feira, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode contribuir na busca pela paz no Oriente Médio, apesar de o processo estar parado desde 2008. Segundo ele, a mensagem de Lula será “bem-vinda”. Ao lado de Peres, o presidente brasileiro disse que um acordo na região é “uma tarefa difícil” e que é necessário que se “ouça mais gente” na nos esforços pela paz.
“Sei que o senhor traz uma mensagem de paz. Sua contribuição será bem-vinda”, disse o presidente israelense. “Se fosse tarefa fácil, já teriam conquistado a paz. Por ser difícil, é importante que se ouça mais gente”, afirmou Lula.
O diálogo ocorreu na primeira visita oficial do presidente brasileiro a Israel. Lula quer que o Brasil atue como mediador em uma eventual retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.
Porém, autoridades israelenses analisam com restrições a aproximação do governo Lula com o do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano nega que houve o Holocausto e reitera críticas a Israel, inclusive sugerindo sua exclusão do mapa.
De Israel, Lula visita a Palestina e encerra sua viagem ao Oriente Médio na Jordânia, na quarta-feira.
Na semana passada, os esforços do governo dos Estados Unidos como mediador do processo de paz fracassaram. A crise atual entre israelenses e palestinos foi detonada durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel na semana passada.
Biden planejava lançar um novo processo de negociações indiretas entre os dois lados, quando o Ministério da Defesa israelense aprovou a construção de 112 residências no assentamento de Beitar Ilit, em território ocupado na Cisjordânia.
O anúncio foi visto como uma ameaça à retomada das negociações, a situação se agravou no dia seguinte, quando o Ministério do Interior, controlado pelo Shas, partido ultraortodoxo e a favor da ampliação dos assentamentos, divulgou a aprovação da construção de 1,6 mil casas em Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como capital de seu futuro Estado.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, abandonou as negociações, enquanto o governo de Israel decretou o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia e reforçou o policiamento em toda a área de Jerusalém.
O processo de paz já estava congelado desde dezembro de 2008, quando o presidente palestino suspendeu o diálogo com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert. Na época, Israel tinha iniciado uma nova ofensiva militar na Faixa de Gaza.
Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, Ahamadinejad pode colaborar como mediador na questão palestina. “Achamos que, se o Irã ficar isolado, vai ser pior. Nós já temos outras experiências muito infrutíferas de tentativa de isolamento e bloqueio. A única coisa que isso pode trazer é consolidar uma posição ainda mais dura dos iranianos”, disse ele.
Shimon Peres agradece colaboração do Brasil na busca pela paz no Oriente Médio
Lula está em Israel em sua primeira visita oficial