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Situação é caótica no Chile, relata gaúcha

Moradora de Santiago, Sandra Verônica fala da desordem do país abalado pelo terremoto

Soldados chilenos chegam para controlar saques em supermercado
Soldados chilenos chegam para controlar saques em supermercado Foto : Daniel Garcia / AFP
Após o terremoto de 8,8 graus de magnitude que deixou mais de 700 mortos no Chile, os moradores do país enfrentam os problemas decorrentes do abalo na infra-estrutura. A massoterapeuta gaúcha Sandra Verônica Torres Dickes, 34 anos, natural de Butiá, mora na capital Santiago desde 2007 e diz que a situação é caótica no país. Em entrevista ao site do Correio do Povo neste domingo, ela aponta a distribuição de energia como umas das principais dificuldades enfrentadas pela população.

"O problema principal no momento é a distribuição de energia. Estão exigindo da empresa responsável que se distribua menos e mais rápido possível para restabelecer o sistema", disse.

Sandra também relata a ocorrência de muitos saques no centro da cidade. "A polícia e as Forças Armadas usam carros com jatos de água para dispersar a população", disse. Segundo ela, também ocorreram fugas de presídios, o que compromete ainda mais a segurança na cidade.

Neste domingo, presidente do Chile, Michelle Bachelet, colocou sob responsabilidade do Exército as regiões de Maule e Bio-Bio por 30 dias. Haverá um reforço imediato das Forças Armadas e da polícia nessas regiões, disse Bachelet. "Elas terão a missão de manter a ordem pública e agilizar a entrega dos suprimentos de emergência e da assistência (às vítimas)", disse Bachelet.

Um general foi designado para cada região. Algumas garantias constitucionais foram suspensas com o decreto, entre elas a que impede que o Exército detenha pessoas.

Polícia tenta conter saques em Concepcion

A polícia está tentando conter os saques em cidades como Concepción, uma das localidades mais afetas pelo terremoto, a 90 quilômetros do do epicentro do tremor de terra. Debaixo da chuva que caía neste domingo, centenas de pessoas arrombaram a porta de um supermercado da cidade, em busca de alimentos e produtos de primeira necessidade. "Isso é para os meus filhos, é a única forma que tenho de alimentá-los", afirmou um homem, explicando com uma expressão de remorso porque decidiu participar do saque ao supermercado.

"Temos que comer", disse uma mulher à televisão estatal, enquanto observava outras pessoas fugindo com caixas de leite e outras mercadorias na mão, como eletrodomésticos e televisores de plasma. "Não temos alimentos. Precisamos de leite para nossas crianças", indicou um homem, em meio aos jatos d'água e ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia, que tentava dispersar os saqueadores. "Se não conseguirmos resolver hoje (domingo) o problema da comida, teremos uma situação muito complicada", declarou a prefeita Van Rysselberghe.

Se o panorama em Concepción é dramático, a situação das comunidades costeiras afetadas por um tsunami no sábado é ainda mais preocupante. Na vizinha Talcahuano e em Dichato, embarcações foram carregadas para terra firme pela força das águas. Ao longo de todo o país, a destruição pode ser vista em dezenas de pontes caídas, edifícios derrubados e ruas bloqueadas por escombros, o que dificulta ainda mais a chegada de ajuda. Na capital Santiago, o aeroporto internacional continua fechado neste domingo, devido aos destroços do terminal de passageiros. Neste domingo, entretanto, a chegada de alguns voos foi permitida, segundo a televisão chilena, uma vez que a pista do aeroporto não foi danificada pelo tremor.