Após desejar Feliz Natal aos telespectadores, Snowden falou da descoberta de um sistema de vigilância global e que "juntos podemos encontrar um equilíbrio maior, acabar com a vigilância maciça e lembrar ao governo que se realmente quer saber como nos sentimos, perguntar é mais barato do que espionar".
Snowden desatou a polêmica após revelar os programas de vigilância da NSA (sigla em inglês para a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos), particularmente com relação a países aliados dos Estados Unidos e seus líderes, como a presidente Dilma Rousseff e a chanceler alemã, Angela Merkel.
Na mensagem de Natal, ele afirmou que os métodos de vigilância aos cidadãos descritos pelo escritor britânico George Orwell no romance "1984" "não são nada comparado ao que existe hoje". No romance de Orwell, disse, a tecnologia consistia de microfones, câmeras de vídeo e televisores "que nos observam; agora temos sensores nos nossos bolsos que nos acompanham a qualquer lugar aonde vamos". "Pense no que isto significa para a privacidade das pessoas", denunciou Snowden.
Há seis meses, suas revelações sobre o programa de espionagem generalizado de conversas telefônicas e trocas de mensagens na internet realizada pelos Estados Unidos e alguns aliados provocaram uma grande indignação e crises diplomáticas em alguns países. Segundo os documentos vazados por Snowden, os alvos da espionagem variavam de cidadãos comuns a empresas e líderes de países amigos.
Os jovens não têm privacidade
Na mensagem "alternativa" de Natal, Snowden advertiu que "uma criança nascida hoje crescerá sem nenhum conceito de privacidade". "Nunca saberão o que significa ter um momento privado, um pensamento não gravado, não analisado. E isso é um problema porque a privacidade é importante, a privacidade é o que nos permite determinar quem somos e quem queremos ser", acrescentou.