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Sobe para 107 número de mortos na Grande Mesquita de Meca

Guindaste desabou sobre estruturas e deixou outros 238 feridos

Guindaste desabou sobre estruturas e deixou outros 238 feridos
Guindaste desabou sobre estruturas e deixou outros 238 feridos Foto : AFP/CP
Subiu para  107 o número de mortos, nesta sexta-feria, na queda de um guindaste sobre a Grande Mesquita de Meca, no oeste da Arábia Saudita. Além disso, 238 ficaram feridos na tragédia que ocorre a poucos dias do início da grande peregrinação muçulmana.

Nas redes sociais circulavam fotos que mostravam o pátio no qual caiu a parte superior do guindaste coberto de corpos ensanguentados. O porta-voz das duas mesquitas santas (Meca e Medina), Ahmed bin Mohamed Al Mansouri, citado pela agência SPA, informou que o guindaste caiu às 17h10min "devido a ventos violentos e às fortes chuvas".

Abdel Aziz Naqur, que trabalha na mesquita, relatou que o guindaste caiu devido a uma tempestade. "Se não fosse pela ponte de Al Tawaf, os feridos e os mortos teriam sido muitos mais", relatou ao indicar passarela que rodeia a Kaaba e amorteceu a queda.

O governador da região, príncipe Khaled al-Faiçal, ordenou a abertura de uma investigação, a duas semanas da peregrinação anual a Meca, que reúne fiéis muçulmanos em todo o mundo. O incidente ocorreu no dia mais movimentado, na sexta-feira, dia da oração para os muçulmanos, quando a Grande Mesquita se enche de fiéis e peregrinos.

A Grande Mesquita abriga em seu pátio a Kaaba, enorme estrutura em forma de cubo negro, na direção da qual os muçulmanos de todo o mundo devem se curvar para orar cinco vezes por dia. As autoridades começaram uma enorme obra pública para ampliar a área da mesquita em 400.000 m², o que permitiria acolher até 2,2 milhões de pessoas. A mesquita estava rodeada há anos de diversos guindastes. Um vídeo no Youtube mostrou pessoas gritando e correndo caoticamente de um lado a outro após a queda da enorme estrutura metálica.

Irfan al Alawi, co-fundador da Fundação de Investigações sobre o Patrimônio Islâmico criticou as autoridades, as quais acusou de negligentes por deixar vários guindastes sobre a mesquita. "Não lhes importa o patrimônio, não lhes importa a saúde ou a segurança", afirmou Alawi, que considera que as reformas nos lugares sagrados apagam os traços tangíveis dos lugares pelos quais passou o profeta.

Ativistas criaram uma hashtag no Twitter para pedir aos residentes de Meca que doem sangue nos hospitais da área. Oficialmente o hajj ou peregrinação a Meca, um dos cinco pilares do Islã, deve começar em 21 ou 22 de setembro. A agência oficial saudita SPA informou nesta sexta-feira que 800 mil peregrinos já chegaram na cidade.

A parte mais antiga da mesquita é do século XVI. O hajj não registrou quaisquer incidentes graves nos últimos anos, em comparação a épocas passadas, nas quais as multidões de peregrinos provocavam dezenas de mortos. A Arábia Saudita tem investido bilhões de dólares em transporte e outras infraestruturas para facilitar o movimento da multidão que participa do evento.

Em janeiro de 2006, 364 peregrinos morreram pisoteados em meio ao pânico, e 251 dois anos antes nas mesmas circunstâncias. Em julho de 1990, 1.426 peregrinos morreram, em sua maioria sufocados no tumulto dentro de um túnel.