Muitas pessoas estão em estado grave em razão de queimaduras e ferimentos na cabeça, segundo Georges Kettané, diretor de operações da Cruz Vermelha libanesa. Dezenas de feridos já deixaram hospitais da região, mas muitos seguem internados, principalmente as crianças.
Os Estados Unidos condenaram os dois atentados. A assessora de segurança nacional, Susan Rice, escreveu em sua conta no Twitter que Washington "condena firmemente" os ataques. Washington expressou em várias oportunidades seu temor de que o violento conflito na Síria afete a frágil paz no vizinho Líbano.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, também condenou os ataques e fez um apelo aos libaneses a manterem a unidade. Em um comunicado oficial, Ban Ki-moon "apela a todos os libaneses a exercer contenção, para permanecer unidos e ajudar as instituições do Estado, especialmente as forças de segurança a manter a ordem e calma em Trípoli e em todo o país".
Os ataques acontecem uma semana após um atentado que matou 27 pessoas em 15 de agosto na periferia xiita de Beirute, reduto do Hezbollah, poderoso movimento xiita libanês que combate ao lado das tropas do presidente Bachar al-Assad. Os ataques aumentam os riscos de uma escalada do conflito sectário no Líbano, já profundamente dividido entre pró e anti-Assad.
Na quarta-feira, o comandante do exército libanês, o general Jean Kahwaji, declarou que suas tropas estavam em guerra total contra o terrorismo, explicando que perseguiam há meses uma célula que prepara carros-bomba, um dos quais explodiu em 15 de agosto na periferia ao sul de Beirute.
Explosões
Em Trípoli, a primeira explosão ocorreu no centro, perto da casa do primeiro-ministro Najib Mikati, que não estava na cidade, de acordo com os serviços de Mikati. A segunda ocorreu perto do porto, perto da casa do ex-chefe de polícia Ashraf Rifi, de acordo com uma fonte dos serviços de segurança.
As explosões ocorreram perto de duas mesquitas. A televisão libanesa mostrou uma enorme coluna de fumaça negra subindo para o céu. Um correspondente da AFP viu corpos carbonizados perto da mesquita de Al-Taqwa, localizada em uma das principais avenidas da cidade, e cinco corpos de crianças sendo retirados. Muitas pessoas choravam à procura de parentes.
As imagens transmitidas pela imprensa local mostram vários veículos em chamas, homens carregando feridos e fachadas de imóveis completamente destruídas. Após os atentados, centenas de pessoas se reuniram em frente à mesquita de Al-Taqwa gritando palavras de ordem hostis ao Hezbollah xiita e ao regime Assad.
O Hezbollah combate há meses ao lado das tropas do regime sírio contra os rebeldes. O grupo é acusado por seus opositores no Líbano de mergulhar o país em uma onda de violência. O partido xiita relacionou o duplo atentado em Trípoli à explosão do dia 15, ao citar "um plano para mergulhar o Líbano no caos e na destruição".
A capital do norte do Líbano é regularmente palco de confrontos entre sunitas, que em sua maioria apoiam a rebelião síria, e os alauítas, favoráveis ao regime de Bashar al-Assad. "Os responsáveis não querem que os libaneses vivam em paz, eles querem que a máquina de morte ceife a vida de inocentes em todo o Líbano", reagiu Saad Hariri, ex-primeiro-ministro sunita e rival do Hezbollah.
Segundo o comandante do exército libanês, Jean Kahwaji, a célula terrorista procurada "não visa uma região ou uma determinada comunidade, mas procura provocar conflitos sectários, visando diferentes regiões do ponto de vista religioso e político". "Está claro que eles querem iniciar uma guerra sectária no Líbano para tirar a atenção do que acontece na Síria". indicou Hilal Khachane, chefe do departamento de ciências políticas da Universidade americana de Beirute. "Mas eu não acredito que o Líbano vai mergulhar em uma guerra sectária, porque isso não beneficiaria ninguém", acrescentou.
Os ataques, que revivem memórias dolorosas dos atentados com carros-bomba durante a guerra civil (1975-1990), ocorre no momento em que o país não tem um governo por causa de divisões relacionadas com o conflito sírio. Também acontecem poucas horas depois de Israel lançar um ataque aéreo no sul do Líbano, em retaliação a um ataque com foguetes em seu território, reivindicado por um grupo ligado à al-Qaeda.