Ao menos 64 pessoas morreram na noite de domingo em um duplo atentado contra dois restaurantes que exibiam a final do Mundial da África do Sul-2010 em Campala, a capital de Uganda, informou a polícia, que atribui a autoria dos ataques a milícias somalis shebab, ligadas à Al-Qaeda.
Este duplo atentado é o mais mortífero já cometido na África Oriental desde os ataques contra as embaixadas americanas de Nairóbi e Dar es Salaam, realizados por membros da Al-Qaeda e que custaram a vida de mais de 200 pessoas em 7 de agosto de 1998. "Temos 64 mortos e 65 feridos. As nacionalidades das vítimas serão comunicadas mais tarde", declarou à AFP a porta-voz da polícia, Judith Nabakooba.
As duas bombas explodiram num restaurante etíope do sul da capital ugandesa e em um clube de rúgbi do leste da cidade enquanto muitas pessoas acompanhavam a partida entre a Espanha e a Holanda. O presidente americano Barack Obama condenou "os ataques deploráveis e covardes" e afirmou que seu país está disposto a prestar ao governo local a ajuda que precisar, informou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer.
Entre os mortos está um americano, informou a embaixada americana em Campala. "Só queríamos ver a partida, e infelizmente fomos para a área etíope", declarou no hospital Chris Sledge, um jovem de 18 anos, que sofreu ferimentos graves nas pernas e em um olho.
O chefe da polícia, Kale Kayihura, vinculou o duplo atentado às ameaças feitas recentemente por rebeldes islamitas Shebab na Somália contra Uganda e Burundi, dois países que enviaram um total de 6 mil soldados para a força de paz da União Africana na Somália (AMISOM).
Os shebab, que controlam a maior parte da Somália, consideram que se trata de uma força de ocupação. A AMISOM foi posicionada em março de 2007 e atualmente sua principal missão consiste em proteger o frágil governo provisório que dirige o país desde janeiro de 2009.
"Como sabem, houve declarações por parte dos shebab e da Al-Qaeda. O terrorismo é uma ameaça nos dias de hoje. Vocês conhecem a região em que estamos e nosso compromisso na Somália", declarou Kayihura na noite de domingo. "Evidentemente, trata-se de terrorismo", acrescentou.
A União Africana (UA) também classificou o ocorrido de "ato terrorista (que) deve ser condenado nos termos mais fortes". E o presidente somali, Sharif Sheij Ahmed, classificou o ato como vil e diabólico. Os shebab ameaçaram recentemente com represálias contra a Uganda e Burundi por sua participação na força da UA na Somália.
Apesar de durante os últimos anos esses islamitas afiliados à Al-Qaeda multiplicarem os atentados contra a AMISOM, nunca os haviam cometido até agora fora do território somali. Em 5 de julho, o chefe dos shebab, Ahmed Abdi Godane, pediu aos somalis que se unam para expulsar a AMISOM do país.
Sobe para 64 o número de mortos após atentados em Uganda
Ataque ocorreu durante a final da Copa do Mundo em dois restaurantes