Pelo menos 68 militares e policiais morreram em um dos acidentes aéreos mais graves da história recente da Colômbia, segundo um novo balanço divulgado nesta terça-feira, 24, do sinistro atribuído pelo governo a uma aeronave "sucateada" vinda dos Estados Unidos.
O avião Hércules, adquirido em 2020, caiu na segunda-feira a um quilômetro da pista de decolagem, no município amazônico de Puerto Leguízamo, perto da fronteira com o Peru.
A aeronave transportava 128 ocupantes e munições, de acordo com o balanço mais recente, embora os números ainda estejam sendo consolidados.
O acidente, ainda sob investigação, deixou mais de 50 feridos, além de moradores que se aproximaram para tentar resgatar os sobreviventes e acabaram atingidos por munições militares que explodiram em meio às chamas.
As autoridades também reportaram um militar desaparecido. O presidente de esquerda Gustavo Petro responsabiliza o seu antecessor Iván Duque (2018-2022) por ter recebido um avião "sucateado" fabricado em 1983 pelos Estados Unidos.
"Por que comprou um avião tão velho? Quem o aconselhou a fazer tamanha bobagem?", escreveu na rede social X, e afirmou ter solicitado há um ano a substituição dos Hércules.
Duque chamou Petro de "mesquinho e pouco inteligente" e o instou a fazer "uma investigação que inclua o peso" transportado na decolagem e o estado da pista do pequeno aeroporto. Seu governo afirma que o avião foi uma doação de Washington.
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O Ministério da Defesa descartou um ataque das guerrilhas que operam no território tomado por cultivos de coca. Jhon Molina, governador do departamento de Putumayo, onde ocorreu o acidente, denunciou à Blu Radio que o aeroporto "tem várias dificuldades" e "precisa de mais investimentos".
Só é possível chegar ao local do acidente de avião ou barco, em um trajeto de cerca de cinco horas a partir da capital, Puerto Asís.
O apoio dos moradores no resgate foi fundamental para que o número de mortos não fosse ainda maior, disse Molina.
Imagens de correntes humanas jogando água e de moradores levando feridos em motocicletas viralizaram nas redes sociais. Os corpos dos mortos serão levados para análises periciais em Bogotá, anunciou o Instituto Nacional de Medicina Legal.