Segundo o porta-voz militar, Lazarus Eli, os terroristas entraram na faculdade e dispararam contra os estudantes" que dormiam. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou o que chamou de "horrível ataque". O estado de Yobe tem sido palco de violentos ataques nos últimos meses contra instituições de ensino que não seguem os preceitos do Islã.
O pior ataque, até agora, havia acontecido em julho na cidade de Mamudo, onde islamitas lançaram explosivos e dispararam contra os estudantes, matando 41 pessoas. O Boko Haram - cujo nome significa "a educação ocidental é pecado" - reivindicou nos últimos quatro anos uma série de ataques contra escolas e universidades. Em junho, os insurgentes mataram sete alunos e dois professores em Damataru.
Yobe é um dos três estados dos noroeste da Nigéria onde o Exército realiza uma ofensiva desde meados de maio contra o grupo de insurgentes. Segundo o exército, os recentes ataques contra estabelecimentos escolares mostra o "desespero" do grupo islamita, que "só é capaz de atacar alvos fáceis". O ministério da Defesa assegurou que a ofensiva de maio contra o Boko Haram havia "dizimado o grupo" e dispersado seus membros.
Apesar disso, insurgentes do Boko Haram, usando uniforme militar, mataram 142 pessoas em setembro na cidade de Benisheik, no estado de Borno. O Boko Haram também ataca milícias de autodefesa, que apoiam o exército. As ligações telefônicas foram cortadas em grande parte da região, impedindo os civis alertarem as autoridades em caso de ataque.
Nesta região, os atentados contra igrejas, principalmente durante a missa de domingo, se tornaram frequentes.
O Boko Haram reivindica a criação de um Estado islâmico no norte da Nigéria, majoritariamente muçulmano, ao contrário do sul, majoritariamente cristão. Os ataques do grupo extremista e a repressão das forças de segurança deixaram ao menos 3,6 mil mortos desde 2009, segundo a ONG Human Rights Watch.