Os haitianos se reuniram neste domingo para rezar e chorar pelos mortos do terremoto do dia 12, na véspera de uma reunião de emergência em Montreal para coordenar a ajuda humanitária. Centenas de haitianos se reuniram nos arredores da catedral de Porto Príncipe, em ruínas, e outros locais de culto do país que continuam de pé para rezar, cantar e lançar um apelo à reconstrução.
Depois deste dia de orações, os "países amigos" do Haiti, entre os quais o Brasil, os Estados Unidos e a França, se reunirão para fazer um balanço da situação e coordenar a ajuda, antes de preparar a reconstrução do país. A Espanha, as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA) também estarão presentes em Montreal. Outra conferência sobre o Haiti está prevista para março. "Não vamos reconstruir o Haiti de forma idêntica. Teremos que resolver os problemas estruturais. Não será um exercício apenas financeiro, vamos falar de governança e de cooperação regional", afirmou uma fonte diplomática francesa.
No total, 133 pessoas foram resgatadas dos escombros pelas equipes internacionais desde o terremoto. As equipes com material leve começaram a deixar o país, mas as que vieram com equipamento pesado passaram a ajudar na remoção dos escombros.
De acordo com o ministério haitiano do Interior, metade das casas de Porto Príncipe, Jacmel e Leogane, as três cidades mais afetadas pelo tremor, estão destruídas. Em Porto Príncipe, os habitantes continuam enterrando seus mortos, e a vida está, aos poucos, voltando ao normal em alguns bairros. A distribuição de alimentos, água, barracas e medicamentos se intensificou. Quase 610 mil pessoas estão alojadas em 500 acampamentos, e mais de 30 hospitais com capacidade operatória estão funcionando.
Alguns incidentes foram registrados. Sábado, soldados brasileiros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) tiveram que atirar para o alto e lançar bombas de gás lacrimogêneo para conter um tumulto que começou durante uma distribuição de ajuda em Porto Príncipe. A porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Elisabeth Byrs, mencionou um "incidente isolado", e destacou que poucos casos de violência têm sido observados durante as operações humanitárias.
A polícia haitiana se prepara para horas difíceis: a corporação perdeu muitos homens no terremoto, e muitos criminosos que estavam atrás das grades aproveitaram a catástrofe para fugir. Cerca de 4 mil detentos conseguiram fugir da penitenciária principal de Porto Príncipe, que fica em Cité Soleil, o bairro mais pobre e mais perigoso da capital haitiana.
O líder cubano Fidel Castro denunciou neste domingo a "ocupação" militar americana no Haiti. A presença na ilha caribenha do contingente americano, que deve chegar a 20 mil homens esta semana, já foi criticada pela Venezuela, pela Bolívia e pela Nicarágua.
Nos Estados Unidos, a maratona de shows animada pelo ator George Clooney, que reuniu artistas como Wyclef Jean, Madonna, Bruce Springsteen, Jennifer Hudson, Beyoncé, Coldplay e Bono Vox, permitiu arrecadar 58 milhões de dólares em doações para o Haiti.
Sobreviventes rezam por seus mortos no Haiti
Em Porto Príncipe a vida está, aos poucos, voltando ao normal