Soldados brasileiros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) tiveram que atirar para o alto e lançar bombas de gás lacrimogêneo para conter um tumulto que surgiu durante a distribuição de ajuda organizada no início da noite deste sábado em Porto Príncipe, capital do Haiti.
A distribuição de comida, óleo de soja, água e rádios, que acontecia em um antigo aeroporto militar, começou calma, com duas longas filas de haitianos aguardando tranquilamente. A maioria deles ainda não havia recebido qualquer ajuda desde o terremoto de sete graus na escala Richter que destruiu o país no último dia 12. Após algumas brigas isoladas, no entanto, a situação saiu do controle e a multidão avançou sobre os postos de ajuda, obrigando os militares brasileiros a fazer disparos de advertência e a lançar bombas de gás lacrimogêneo.
Ainda não está claro se a distribuição foi concluída. A porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), Elisabeth Byrs, mencionou apenas um "incidente isolado" e destacou que poucos casos de violência têm sido observados durante as operações humanitárias. "É normal que haja incidentes isolados deste tipo, provocados pela exasperação e pelo desespero."
Elisabeth salientou que atos de violência cometidos por pessoas desesperadas não podem ser tomados como regra no país. "A situação continua sob o controle da Minustah. Estes atos de violência não são representativos do povo haitiano. A população tem se mostrado calma e digna."
Terremoto já matou 120 mil pessoas
A ministra de Comunicação do Haiti, Marie Laurence Lassegue, disse neste sábado que cerca de 120 mil corpos já foram resgatados no país desde o terremoto do dia 12 de janeiro. O número, no entanto, pode ser ainda maior. "Há cerca de 120 mil corpos que recuperamos, sem contar aqueles encontrados por familiares. Agora estamos em processo de ir até as funerárias para contar e isso pode somar mais dezenas de milhares [de mortos]."
As informações são do R7.
Soldados brasileiros atiram para conter tumulto no Haiti
Militares organizavam distribuição de alimentos quando multidão avançou sobre voluntários