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Supremo decide que "Brexit" deve ser votado por Parlamento

Governo deve recorrer decisão que contraria desejo da premier Theresa May

Governo deve recorrer decisão que contraria desejo da premier Theresa May
Governo deve recorrer decisão que contraria desejo da premier Theresa May Foto : Kirsty Wigglesworth / POOL / AFP / CP
A Corte Suprema da Grã-Bretanha decidiu, nesta quinta-feira, que o Parlamento precisa aprovar o pedido de saída do país da União Europeia e solicitar a ativação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa - que define o início do processo de saída de um país do bloco. A decisão contraria o desejo da premier Theresa May, que sempre afirmou que não era necessária a passagem do projeto pelas mãos dos parlamentares britânicos. O governo deve recorrer da decisão.

Segundo o juiz que liderou a sessão, Lord John Thomas, "a regra mais fundamental da Constituição do Reino Unido é a de que o Parlamento é soberano". Os magistrados decidiram que, caso dessem poder apenas ao governo, estariam "sabotando" o poder dos parlamentares. O processo foi iniciado após diversas ações serem impetradas na Justiça por grupos pró-UE. Especialistas consideram que essas ações visam a fazer uma transição mais "suave" com o "Brexit", mantendo mais laços com o bloco do que a premier iria fazer.

Com a decisão, é provável que o processo de saída - que May havia anunciado para o início do ano que vem - sofra atrasos ou até mesmo pare em caso de divergências. Apesar de ter maioria no Parlamento, o "Brexit" dividiu as opiniões dos parlamentares das mais diferentes vertentes e muitos governistas são contrários à saída. O veredito também acaba atrapalhando o papel de liderança da premier perante a União Europeia, já que o processo deve durar até dois
anos.