Os dois suspeitos do atentado contra o periódico Charlie Hebdo, em Paris, integram "há anos" a lista negra de terroristas elaborada pelos Estados Unidos. A informação, sobre os irmãos Cherif e Said Kuachi, de 32 e 34 anos, foi dada por um funcionário da inteligência americana, que pediu para não ser identificado.
Cherif e Said figuram na base de dados americana, incluindo a famosa "No Fly List", que proíbe a presença em voos para ou a partir dos Estados Unidos. Fontes da inteligência teriam apurado que o irmão mais velho, Said, passou "vários meses" treinando com armamento de guerra com um membro da Al-Qaeda no Iêmen em 2011, antes de regressar à França.
A caçada aos dois irmãos prossegue na noite desta quinta-feira, mobilizando mais de 80 mil homens e cinco helicópteros, especialmente no Norte da França, onde a dupla foi avistada. O atentado foi saudado nesta quinta-feira pelo grupo Estado Islâmico, que chamou os irmãos de "heróis".
O ataque da última terça-feira deixou 12 mortos e 11 feridos. Dois homens armados com fuzis kalashnikov e um lança-foguetes invadiram a redação da revista de humor. Segundo fontes policiais, os autores do ataque gritaram "Vingamos o Profeta!", em referência a Maomé, alvo de uma charge publicada há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo muçulmano.
Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um pedestre com o carro roubado. "Ouvi disparos, vi pessoas encapuzadas que fugiram em um carro. Eram pelo menos cinco", declarou Michel Goldenberg, que tem um escritório vizinho na rua Nicolas Apert, onde fica a sede da revista.
Suspeitos de atentado em Paris estariam na lista negra de terroristas dos EUA
Said Kuachi teria sido monitorado ao receber treinamento com armas de guerra no Iêmen