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Tailândia registra mais de 15 mortes em protestos nesta sexta-feira

Mais de 40 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas desde que começaram os protestos em março

Mais de 10 morreram nos confrontos
Mais de 10 morreram nos confrontos Foto : Pedro Ugarte / AFP / CP
Dezesseis pessoas morreram e 125 pessoas ficaram feridas em consequência de enfrentamentos registrados nesta sexta-feira, em Bangcoc, entre militares e manifestantes antigovernamentais, os chamados "camisas vermelhas". Mais de 40 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas desde que começaram os protestos em meados de março.

A violência desta sexta-feira na capital da Tailândia foi provocada por uma operação militar durante a manhã. A eletricidade foi cortada na zona ocupada pelos manifestantes da oposição, no centro de Bangcoc, que está isolada pela polícia, informou o Exército. "Os responsáveis por Bangcoc cortaram a eletricidade na zona de Ratchaprasong na noite passada", revelou o porta-voz do Exército, coronel Sunsern Kaewkumnerd.

Durante a noite, o estado de emergência, decretado em Bangcoc no início de abril, se estendeu para outras 15 províncias do norte e nordeste, reduto dos "vermelhos".

As Forças Armadas já haviam anunciado a intenção de recuperar pela força o controle da avenida. Os militares usaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes e um ônibus do Exército foi incendiado. Tiros também foram ouvidos no parque Lumpini.

Crise prolongada

A crise se aprofundou na Tailândia na quinta-feira, com a decisão do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, de cancelar as eleições antecipadas e de enviar blindados para isolar o bairro de Bangcoc onde permanecem entrincheirados os "camisas vermelhas". Na mesma noite, um manifestante morreu e outros oito ficaram feridos.

Um alto oficial tailandês que passou para o lado dos manifestantes, Khattiya Sawasdipol, também foi alvo de disparos e está hospitalizado em estado grave. O militar, muito popular entre os manifestantes e encarregado de fato de suas operações de segurança no bairro que ocupam há dois meses, recebeu um disparo no peito.

O governo acusa o general Khattiya, de 58 anos, de ser um dos principais adversário da reconciliação.

Negociações continuam

A capital do país está afundada na violência, depois de 10 dias nos quais as negociações pareciam ter prevalecido entre o premier Vejjajiva e os líderes "vermelhos", ligados ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, atualmente no exílio.
Shinawatra pediu nesta sexta-feira que o governo retire as tropas das ruas e retome as negociações com os manifestantes.

"Acredito que uma solução política continua sendo possível na Tailândia, e o primeiro-ministro pode evitar que existam mais vítimas e pode salvar o país", afirma Shinawatra em um comunicado divulgado por seu conselheiro jurídico em Bangcoc.

Shinawatra governou a Tailândia durante cinco anos, mas foi deposto em 2006 por um golpe de Estado.
Os partidários dele protestam há dois meses contra o atual governo.