A fuga representa um novo golpe contra o governo do presidente Hamid Karzai e as forças da Otan, que nos últimos dois anos intensificaram as operações militares nesta região do sul afegão, reduto dos talibãs e área vital para estabilizar o país. O porta-voz de Karzai, Waheed Omar, classificou a fuga de "desastre". "Estamos tentando descobrir o que ocorreu exatamente e o que temos que fazer para reparar o desastre que aconteceu em Kandahar", completou Omar.
O governador da província de Kandahar, Tooryalai Wesa, confirmou em um comunicado que 474 "prisioneiros políticos" e um criminoso fugiram pelo túnel, cavado durante vários meses. As autoridades designam como "presos políticos" os supostos talibãs que não foram detidos no campo de batalha.
Um porta-voz talibã, Yusuf Ahmadi, reivindicou a fuga e afirmou que os presos cavaram um túnel de 360 metros e direção ao sul. Em um comunicado, os insurgentes afirmam que demoraram cinco meses para cavar o túnel, que chegou à área onde estavam os "presos políticos" da penitenciária.
"O túnel chegou ao objetivo à noite. Os mujahedines prisioneiros foram conduzidos ao exterior por esta via por três detentos previamente informados", destaca o texto. A operação durou quatro horas e os presos foram recebidos por veículos. Os talibãs também revelaram que um comando suicida foi posicionado perto da prisão, mas que não foi necessário entrar em ação.
O governador de Kandahar admitiu que a fuga representa um fracasso para as forças de segurança e os serviços de inteligência. A penitenciária de Kandahar foi cenário de uma fuga espetacular em 13 de junho de 2008, quando um comando talibã invadiu o local e libertou quase 1 mil detentos, metade deles insurgentes.
Kandahar, berço do antigo regime talibã (1996-2001), expulso do poder por uma coalizão internacional no fim de 2001, é um dos redutos mais importantes da rebelião contra a Otan e as forças afegãs.