As autoridades talibãs do Afeganistão intensificaram o bloqueio à internet no país, cortando conexões de fibra óptica em várias províncias nesta quarta-feira (17). A ação, descrita como uma campanha contra o "vício", foi ordenada pelo líder supremo dos talibãs, Haibatullah Akhundzada, e deixou dezenas de milhares de pessoas sem acesso à internet de alta velocidade.
Jornalistas da AFP confirmaram problemas de conexão nas províncias de Balj, Badajshan, Tajar, Kandahar, Helmand e Uruzgan. O acesso à internet se limitou à rede telefônica, que funcionava de forma intermitente.
Justificativa do talibã
O porta-voz da província de Balj, Attaullah Zaid, declarou que a medida visa "prevenir o vício" e que "opções alternativas serão implementadas". O porta-voz da província de Nangarhar, Kureshi Badlun, justificou a decisão afirmando que "estudos recentes" mostram que aplicativos online afetaram negativamente as bases "econômicas, sociais, culturais e religiosas" da sociedade, levando à "corrupção moral".
Apesar da justificativa, a medida tem gerado grandes prejuízos para a população. A fibra óptica é a tecnologia mais utilizada no país, e o corte da conexão afeta diretamente a economia.
Atta Mohamed, um empreiteiro de Kandahar, relatou o impacto: "Se não respondermos aos e-mails dos nossos clientes, não poderemos continuar com nosso negócio. Não dormi um minuto sequer". O bloqueio marca uma mudança na política do governo talibã, que em 2024 promovia a rede de fibra óptica como uma "prioridade" para conectar o país ao resto do mundo e combater a pobreza.