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Testes mostram que duas vacinas contra o ebola são seguras

Próximo passo será testar as vacinas em voluntários saudáveis na África

Doutora Marie-Paule Kieny lidera o grupo responsável pela luta contra o ebola na OMS
Doutora Marie-Paule Kieny lidera o grupo responsável pela luta contra o ebola na OMS Foto : Fabrice Coffrini / AFP / CP
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira que duas vacinas contra o ebola provaram ser seguras, e logo devem ser testadas em voluntários saudáveis na África. De acordo com a doutora Marie-Paule Kieny, que lidera o grupo responsável pela luta contra o ebola na OMS, "as vacinas têm nível de segurança aceitável". Além das duas vacinas aprovadas, uma fabricada pela Glaxo Smith Kline e outra licenciada por Merck e NewLink, novas pesquisas estão sendo desenvolvidas nos Estados Unidos, Rússia e outros países. 

Os testes com a vacina da Merck e NewLink chegaram a ser interrompidos em dezembro, por causa de relatos de dores nas juntas entre alguns dos pacientes que receberam o tratamento. No entanto, Marie-Paule afirmou que os efeitos colaterais não eram significativos. A nova fase de testes deve durar seis meses, e acontecerá ao mesmo tempo em que as farmacêuticas começarão a produzir em larga escala os produtos, o que significa que milhões de vacinas podem estar disponíveis no fim do ano. Porém, especialistas ainda discutem se elas serão usadas em populações inteiras ou apenas grupos de risco.

Acredita-se que o ebola tenha infectado mais de 20 mil pessoas e matado 8 mil delas, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Oficiais estimam que a taxa de mortalidade da doença é de cerca de 71%. No entanto, o número de novos infectados vem caindo rapidamente. Para o doutor Peter Piot, que ajudou a descobrir o vírus do ebola, é possível que quando a vacina esteja pronta, não existam mais casos em número suficiente para provar sua eficiência. Ainda assim, diz ele, qualquer opção deve ser considerada na luta contra o maior surto da doença no mundo. "Com o ebola, você precisa encontrar todos os casos para interromper qualquer contágio", disse o doutor. "Pode acontecer de não conseguirmos fazer isso sem uma vacina", ressaltou Piot.