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Tiroteios na madrugada causam pânico na Praça Tahrir, no Cairo

Protestos do "Dia da Partida" não conseguiram provocar a saída de Mubarak, mesmo com a intervenção de Obama

Protestos do Dia da Partida não conseguiram provocar a saída de Mubarak, mesmo com a intervenção de Obama
Protestos do Dia da Partida não conseguiram provocar a saída de Mubarak, mesmo com a intervenção de Obama Foto : Nicholas Kamm / AFP / CP
Um intenso tiroteio foi ouvido na noite desta sexta-feira na Praça Tahrir, no centro do Cairo, espalhando por alguns minutos o pânico na multidão de manifestantes antigovernamentais que se encontravam reunidos no local. Conforme repórteres do canal norte-americano CNN, houve duas sessões de tiros em um intervalo de cerca de 15 minutos. Não há informações sobre feridos na ação.

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Durante o dia, centenas de milhares de pessoas foram às ruas do Egito em um novo dia de protestos batizado de "Dia da Partida", com a esperança de forçar a renúncia do presidente Hosni Mubarak. No entanto, o dia e a noite se passaram sem novidades. Mubarak segue sem dar ouvidos às reivindicações internas e internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a pressionar o seu antigo aliado a deixar o cargo, afirmando que ele deveria ouvir os manifestantes. Oba disse ainda que as discussões para a transição já começaram.

No Cairo, uma multidão concentrou-se na Praça Tahrir, onde os opositores, entrincheirados desde 25 de janeiro, resistiram na quarta-feira a uma violenta tentativa de despejo por parte dos partidários de Mubarak, em uma batalha campal que deixou oito mortos.  Nesta sexta-feira, um jornalistas egípcio morreu, após passar quatro dias em coma. Ele foi atingido por um tiro quando estava em seu apartamento, próximo à Praça Tahir.

Dia foi de tumultos em todo o país

A ONU avalia que, desde o início dos protestos, cerca de 300 pessoas morreram e milhares ficaram feridas. Segundo um balanço oficial do Ministério da Saúde, 5 mil pessoas ficaram feridas desde a última sexta-feira. Outras cidades foram palco de protestos durante o "Dia da Partida", que coincidiu com o dia de oração dos muçulmanos. Dezenas de milhares de pessoas se concentraram em Alexandria (norte), a segunda maior cidade do país, ao grito de "Abaixo Mubarak! Abaixo o regime!". O governo comprometeu-se a não despejar pela força os manifestantes e qualificou de "falsas" as afirmações de que as autoridades estão por trás dos ataques a jornalistas realizados nos últimos dias.

No Cairo, o chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, que foi chanceler de Mubarak e já não esconde sua intenção de se apresentar às eleições para sucedê-lo, foi à praça "como um gesto de apaziguamento", indicou seu gabinete.

Em declarações à rede Al Jazeera, o opositor e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, tampouco descartou apresentar-se à sucessão de Mubarak.O ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, foi pessoalmente à praça para examinar a situação e conversar com a multidão, rodeado por soldados.



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