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"Todas as opções estão sobre a mesa na Venezuela", diz Trump

Presidente dos EUA disse que residente Nicolás Maduro poderia ser derrubado "rapidamente" se os militares venezuelanos desejassem

Trump se encontrou hoje com premiê de Israel Benjamin Netanyahu
Trump se encontrou hoje com premiê de Israel Benjamin Netanyahu Foto : Nicholas Kamm / AFP / CP
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira aos jornalistas na ONU que "todas as opções estão sobre a mesa a respeito da Venezuela. As fortes e as menos fortes", disse Trump à margem da Assembleia Geral da ONU. "E vocês sabem o que quero dizer com forte", completou, em uma referência tácita a uma possível intervenção militar americana.

"Eu só quero que a Venezuela endireitada. Quero que as pessoas tenham segurança. Vamos cuidar da Venezuela. O que acontece na Venezuela é uma vergonha", completou. O presidente americano, no entanto, afirmou que estaria disposto a reunir-se com o seu colega venezuelano Nicolás Maduro se este desejar e viajar a Nova York. "Certamente estou aberto a isto. Eu estaria disposto a reunir-me com qualquer pessoa", respondeu ao ser questionado sobre um possível encontro. Na terça-feira, Trump disse que o presidente Nicolás Maduro poderia ser derrubado "rapidamente" se os militares venezuelanos desejassem.

Ontem, o presidente dos EUA já havia apertado as rédeas contra Venezuela: disse que o presidente venezuelano pode ser "derrubado muito rapidamente" por militares, anunciou novas sanções contra a esposa e os colaboradores de Nicolás Maduro. 

"Tragédia humana"

Pouco antes, em seu discurso à Assembleia Geral da ONU, Trump havia lamentado a "tragédia humana" que a Venezuela vive, e que há poucos anos era "um dos países mais ricos da Terra" e que hoje está "arruinada" pelo socialismo, que, disse, conduziu "seu povo à abjeta pobreza". "Pedimos às nações reunidas aqui se unam a nós no pedido de restauração da democracia na Venezuela", afirmou.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, acusou o presidente dos Estados Unidos de aproveitar o espaço na ONU para promover a "desestabilização" da Venezuela para fins eleitorais. "Agredir Venezuela, Cuba, é receber votos para ganhar na Flórida, para ganhar no Congresso nas eleições de novembro e para continuar para trabalhando na reeleição", disse.

Nesta terça, os Estados Unidos impuseram mais sanções contra pessoas próximas a Maduro: a primeira-dama, Cilia Flores; a vice-presidente, Delcy Rodríguez; o ministro de Comunicação, Jorge Rodríguez; e o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López. "Não se metam com Cilia. Não se metam com a minha família. Não sejam covardes! (...) Seu único crime é ser minha esposa. Como não podem com Maduro, vão contra Cilia. E tampouco podem contra Cilia, porque Cilia é uma mulher aguerrida", respondeu Maduro de Caracas.

As autoridades americanas também anunciaram ações contra uma rede que apoia um suposto testa de ferro do líder chavista Diosdado Cabello nos Estados Unidos e embargaram um avião particular de 20 milhões de dólares. Com essas sanções, todos os ativos dessas pessoas em território americano ficam congelados. O presidente do Equador, Lenín Moreno, pediu, por sua vez, "uma ação continental" pela Venezuela, questionando implicitamente o governo de Maduro por provocar o que descreveu como "a maior diáspora da história" da América.

O presidente do Brasil, Michel Temer, destacou a acolhida de "todos" os milhares de venezuelanos que chegaram ao País "em busca de condições dignas de vida". Segundo a ONU, 1,6 milhão de venezuelanos emigraram desde 2015.

Pelo Twitter, o vice-presidente americano Mike Pence lançou uma advertência a Caracas. "Há informações da imprensa hoje de que o regime de Maduro mobilizou tropas militares para a fronteira com a Colômbia, um esforço óbvio de intimidação", tuitou Pence. Na quarta-feira, Argentina, Colômbia, Peru, Chile e Paraguai anunciarão o envio de uma carta à Procuradoria do Tribunal Penal Internacional, na qual pedirão que investiguem crimes contra a humanidade cometidos pelo governo venezuelano.