A Marinha da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, advertiu neste sábado (18) que qualquer embarcação que se aproxime do estratégico Estreito de Ormuz será "considerada alvo".
"Advertimos que nenhuma embarcação, seja qual for, deve deixar seu ponto de ancoragem no Golfo Pérsico e no Mar de Omã. Qualquer tentativa de se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma cooperação com o inimigo e a embarcação infratora será considerada alvo", segundo um comunicado publicado na Sepah News.
O alerta acontece horas depois de Teerã anunciar o novo fechamento da rota de navegação, em resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos portos iranianos. A reabertura da passagem havia sido autorizada na sexta-feira, mas durou poucas horas.
Segundo o comando central das Forças Armadas iranianas, o país havia "aceitado de boa-fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais" pelo estreito, mas os americanos "continuam com atos de pirataria amparados no chamado bloqueio".
Ainda neste sábado, lanchas rápidas da Guarda Revolucionária abriram fogo contra um petroleiro no Estreito, a 37 quilômetros ao nordeste de Omã, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. As embarcações iranianas interceptaram o navio sem aviso por rádio, e a tripulação está a salvo.
Em Washington, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã não pode "chantagear" os Estados Unidos com as mudanças de posição sobre Ormuz.
"Estamos conversando com eles. Eles queriam fechar o estreito de novo — vocês sabem, como vêm fazendo há anos — e não podem nos chantagear", declarou em evento na Casa Branca. Trump antecipou que haveria "algumas informações" sobre o Irã nas próximas horas e que os EUA estão adotando "uma postura firme".
O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saed Khatibzadeh, rebateu em Antália, na Turquia, que os Estados Unidos "não podem impor a sua vontade e cercar o Irã enquanto o Irã, com boas intenções, tenta facilitar a passagem segura pelo Estreito de Ormuz". Segundo ele, não há data marcada para a próxima rodada de negociações entre os dois países.
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Em mensagem publicada no Telegram, o guia supremo Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde antes do início da guerra, afirmou que a "corajosa Marinha do Irã está preparada para fazer com que os inimigos provem o gosto amargo de novas derrotas".
Desde o início do bloqueio americano, 21 navios acataram as ordens das forças dos EUA de dar meia-volta e retornar ao Irã, informou o Comando Central americano. Antes da guerra, quase 120 navios atravessavam diariamente o Estreito de Ormuz, segundo a publicação especializada Lloyd's List. Por essa via transitavam cerca de 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento do estreito. As tensões atuais ocorrem em meio a movimentações diplomáticas para alcançar um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas em vigor desde 8 de abril.