Um tribunal federal dos Estados Unidos bloqueou, nesta terça-feira (4), um plano do governo de Donald Trump para deportar dezenas de afegãos de volta ao seu país, uma medida que, segundo grupos de defesa, colocaria suas vidas em risco.
A juíza Valerie Caproni, do Distrito Sul de Nova York, determinou que os Estados Unidos não poderiam enviar nenhum cidadão afegão ao Afeganistão ou ao Paquistão nesta semana.
Segundo documentos judiciais, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) declarou ao tribunal que não havia "voos fretados nem comerciais planejados ou confirmados" com este fim nestes dias.
Veículos de imprensa americanos informaram na semana passada que o governo planejava deportar mais de 150 afegãos, como parte da ofensiva de Trump contra a imigração.
Entre o grupo havia familiares de afegãos que colaboraram com o Exército americano no país antes da queda de Cabul, segundo a organização AfghanEvac.
"Há uma semana havia um avião. Hoje, o governo disse a uma juíza federal que já não há", declarou, após a decisão, o presidente dessa organização, Shawn VanDiver.
"Isso não aconteceu por acaso. Veteranos, ativistas, 66 membros do Congresso e milhares de americanos conseguiram impedir esse voo", acrescentou.
Após recuperar o poder em 2021, autoridades talibãs anunciaram uma anistia para afegãos que trabalharam com forças e governos apoiados pelo Ocidente e, neste ano, insistiram que podem voltar em segurança. Mas as Nações Unidas registraram relatos de execuções extrajudiciais, detenções e abusos.