Pelo menos 31 pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas nesta sexta-feira em um triplo atentado na cidade líbia de Al Qoba, 30 km de Derna (leste), reduto de jihadistas. A facção líbia do grupo Estado Islâmico reivindicou o ataque realizado por dois suicidas.
Em um breve comunicado, o grupo anunciou "ter vingado o sangue dos muçulmanos em Derna", reduto de islamitas radicais que foi alvo esta semana de ataques aéreos egípcios. Uma fonte da segurança líbia confirmou três atentados simultâneos contra uma delegacia local, um posto de gasolina e a casa do presidente do Parlamento líbio, Aguila Salah Issa.
A cidade de Al Qoba é controlada pelas forças leais ao general Khalifa Haftar e ao Parlamento reconhecido pela comunidade internacional. Vários socorristas indicaram que a maioria das vítimas estava no posto de gasolina, onde dezenas de veículos faziam fila devido à falta de combustível na cidade. Eles acrescentaram que o presidente do Parlamento, com sede em Tobruk, mais a leste, não estava em casa no momento do ataque.
A Líbia está mergulhada no caos desde a queda, em 2011, de Muammar Kadhafi, enquanto as novas autoridades do país não conseguem controlar as dezenas de milícias formadas por antigos rebeldes. Os novos ataques dão testemunho da progressão dos jihadistas no país, num momento em que a comunidade internacional analisa meios de ajudar as forças locais.
Aproveitando-se do caos, o EI encontrou na Líbia terreno fértil para suas ações: em algumas semanas realizou uma série de ataques e abusos, incluindo a decapitação de 21 cristão e um atentado contra um hotel na capital. A execução dos cristãos coptas levou o Egito a realizar ataques aéreos contra posições dos extremistas. Esta ação foi coordenada com as forças do general Khalifa Haftar.
Em seu comunicado, o EI afirma ter visado nesta sexta-feira uma "célula operacional" do general Haftar, cujas forças controlam Al Qoba, e que lançou em maio de 2014 uma ofensiva contra os "grupos terroristas" no leste do país. Desde então, as forças travam uma verdadeira guerra contra os grupos islamitas e jihadistas na região, e disputam o poder com o governo paralelo formado pela milícia "Fajr Libya", que tomou o controle deTrípoli no último verão.
Desde a queda, em outubro de 2011, do regime de Kadhafi, após oito meses de revolta popular, os atentados se multiplicaram na Líbia, mas quase nunca eram reivindicados.Estes ataques visavam particularmente instalações militares ou policiais, mas raramente a população civil, como é o caso de Al Qoba.
Triplo atentado do Estado Islâmico deixa mais de 30 mortos na Líbia
Outras 40 pessoas ficaram feridas no ataque