A gestão dos incêndios florestais na Espanha se tornou o principal palco da disputa política no país. O governo de esquerda do primeiro-ministro Pedro Sánchez e o Partido Popular (PP) conservador, que administra as regiões mais afetadas, trocam acusações em meio a um ano recorde de queimadas. Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), mais de 415.000 hectares foram devastados, um recorde anual desde 2006.
Os socialistas no poder culpam o PP por negligenciar as políticas de combate ao fogo e por negar as mudanças climáticas. Por outro lado, os conservadores atribuem a origem das chamas a criminosos e acusam o governo central de não oferecer recursos suficientes. No entanto, a unidade militar de emergências do Exército atuou em todos os grandes incêndios.
Responsabilidades e acusações mútuas
O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, responsável pelas relações com as regiões, afirmou que a responsabilidade primária no combate a catástrofes é da comunidade autônoma. Ele criticou o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, por "apontar" para o governo central em vez de ajudar, em uma situação que é de competência regional. Feijóo, por sua vez, propôs a criação de um "registro nacional de autores de incêndios criminosos" como resposta ao plano contra a "emergência climática" de Sánchez.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, acusou as comunidades autônomas governadas pelo PP de não investirem em prevenção. Em resposta, a porta-voz do PP, Ester Muñoz, disse que a atitude de um governo sério, ao ser solicitado para ajudar em uma catástrofe, é oferecer os recursos e não alegar falta de competência.
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Crises políticas e judiciais no entorno de Sánchez
O debate sobre os incêndios se assemelha à disputa ocorrida após as inundações em Valência, em 2024, que deixaram mais de 200 mortos. Na Espanha, as comunidades autônomas são as primeiras responsáveis pela resposta a desastres, podendo solicitar ajuda do Estado ou delegar totalmente a gestão em casos mais graves.
O governo de Sánchez, que já opera em minoria parlamentar, enfrenta um cenário judicial complexo. Seu ex-número três, Santos Cerdán, está em prisão preventiva por um caso de subornos em obras públicas, que também envolve o ex-ministro dos Transportes, José Luis Ábalos. Além disso, a esposa de Sánchez é acusada de tráfico de influências e peculato.