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Trump acusa FBI de não ter impedido massacre em colégio da Flórida

Presidente enfrenta críticas por seus vínculos com lobby das armas nos Estados Unidos

Ligado ao lobby das armas, Trump acusou FBI de não ter evitado tragédia na Flórida
Ligado ao lobby das armas, Trump acusou FBI de não ter evitado tragédia na Flórida Foto : Mandel Ngan / AFP / CP
O presidente Donald Trump acusou o FBI (a Polícia Federal americana) de não ter evitado o ataque a tiros que deixou 17 mortos em uma escola de Ensino Médio da Flórida, cujos alunos sobreviventes anunciaram uma manifestação para o mês que vem, em Washington, com o objetivo de exigir leis mais estritas de controle de armas.

A denúncia de Trump contra o FBI surge no momento em que o presidente enfrenta duras críticas por seus vínculos com a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o poderoso lobby das armas de fogo nos Estados Unidos.

O tiroteio também expôs uma grave falha do FBI, que admitiu ter recebido em 5 de janeiro uma chamada de um familiar do atirador de 19 anos, Nikolas Cruz, alertando para seu comportamento agressivo e suas intenções assassinas. O escritório de Miami não foi informado, porém.

A Polícia local também foi advertida da periculosidade de Cruz, noticiou a CNN. Sua mãe adotiva, falecida no ano passado, “pediu várias vezes a presença da Polícia em sua casa para ajudá-la a enfrentar os acessos de raiva, suas ameaças e seu comportamento autodestrutivo”.

“É uma verdadeira pena que o FBI tenha omitido todos os sinais enviados pelo atirador do colégio da Flórida. Não é aceitável”, criticou o presidente americano, via Twitter. “Passam tempo demais tentando provar o conluio russo com a campanha Trump - Não há conluio. Voltem para o básico e nos façam sentir orgulhosos de vocês!”, acrescentou o presidente.

Desde maio, porém, não é mais o FBI que dirige a investigação sobre a ingerência russa no processo eleitoral, mas o procurador especial Robert Mueller. No dia seguinte ao tiroteio, Trump insistiu nos problemas mentais do agressor, sem qualquer menção ao direito à posse e ao porte de armas, garantido pela Segunda Emenda da Constituição, ou sem se referir às armas semiautomáticas, como o fuzil AR-15 usado pelo atirador.

Sinais de alarme

Nikolas Cruz chegou a receber atendimento psicológico por seus problemas de comportamento, mas se beneficiou de uma legislação muito frouxa na Flórida, conseguindo comprar sua arma legalmente no ano passado.

Houve muitos sinais de advertência sobre os riscos que ele representava. Uma investigação social realizada por um episódio de automutilação revelou, em setembro de 2016, que Cruz desejava comprar uma arma de fogo.

“Cruz tem cortes recentes em seus dois braços e declarou que pretende comprar uma arma de fogo. Ignoramos com que propósito quer comprar uma arma de fogo”, indica um lacônico informe do Serviço de Proteção da Infância, citado pelo jornal “Sun Sentinel”.

Embora esses fatos tivessem “certas implicações” para sua segurança, o órgão concluiu, nesse momento, que o jovem foi tratado de maneira adequada por seu colégio e por um instituto especializado em saúde mental. Nikolas Cruz foi atendido, “porque foi designado como um adulto vulnerável, devido a transtornos mentais”, segundo o jornal.