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Trump anuncia retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris

No tratado, os países determinam voluntariamente suas metas de redução na emissão de poluentes na atmosfera

Trump anuncia retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris
Trump anuncia retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris Foto : Saul Loeb / AFP / CP
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta quinta a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima. No tratado, os países determinam voluntariamente suas metas de redução na emissão de poluentes na atmosfera. "A partir de hoje, os Estados Unidos cessarão toda a implementação do Acordo de Paris não vinculativo e os encargos financeiros e econômicos draconianos que o acordo impõe ao nosso país", disse Trump. Na visão do presidente americano, trata-se de "Washington entrando em um acordo que é desvantajoso para os americanos" porque "deixa os trabalhadores, a quem amo, e os contribuintes absorver os custos".

Trump reclamou que o acordo, assinado durante o governo do seu antecessor, Barack Obama, oferece aos outros países uma vantagem injusta sobre a indústria americana e destrói os empregos. "Então, estamos saindo, mas vamos começar a negociar e veremos se podemos fazer um acordo que seja justo. E se pudermos, isso é ótimo. E se não pudermos, tudo bem. Como presidente, não posso colocar outra consideração na frente do bem-estar dos americanos", expressou.

Firmado em 2015, após mais de dez anos de negociações infrutíferas para mitigar o efeito da atividade econômica no clima terrestre, o tratado foi assinado por 195 países e ratificado por 147, responsáveis por 80% das emissões -165 metas de redução já foram submetidas. Apenas Síria e Nicarágua ficaram fora.

Segundo maior emissor de gases depois da China, os Estados Unidos respondem por 18% do carbono lançado na atmosfera terrestre, ou 6,5 milhões de toneladas por ano. A saída americana torna ainda mais difíceis as metas do acordo, de reduzir o carbono na atmosfera de 69 biilhões de toneladas para 56 bilhões, e negociar metas futuras para manter, até 2100, o aquecimento global no nível tolerável, inferior a 2ºC.

A decisão americana poderá levar outros países a rever sua participação. Pelas metas submetidas, já é incerto que o nível tolerável seja atingido. Reduzirão as emissões do nível atual, que aqueceria o planeta 4,2ºC, para apenas 3,3 ºC, segundo análise do Climate Interactive.

Sem os Estados Unidos, esse patamar poderá facilmente subir para acima de 3,5 ºC, ou mesmo 3,8 ºC. As consequências para o clima da Terra poderão ser, de acordo com o consenso dos cientistas, catastróficas. Derretimento de geleiras, elevação do nível do mar, maior intensidade de eventos extremos como tempestades, enchentes, secas e furacões.

Estudo publicado na revista Nature estima, neste cenário, queda de 23% na renda média global até 2100, com aumento de desigualdade, graças sobretudo ao impacto na atividade agrícola e na produtividade. O Banco Mundial previu que, até 2030, mais de 100 milhões de pessoas podem voltar à pobreza se nada for feito para mitigar as mudanças climáticas.

Nos Estados Unidos, fração considerável da opinião pública e do Partido Republicano rejeita o consenso científico sobre o este impacto e não acredita que a atividade humana tenha qualquer interferência no clima do planeta e não aceita argumentos econômicos em favor da adoção de formas limpas de geração de energia.