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Trump apoia projeto de lei que limita entrada de imigrantes com pouca formação

De acordo com senadores, critério deverá reduzir cerca de um milhão para 50 mil os imigrantes autorizados

De acordo com senadores, critério deverá reduzir cerca de um milhão para 50 mil os imigrantes autorizados
De acordo com senadores, critério deverá reduzir cerca de um milhão para 50 mil os imigrantes autorizados Foto : Jim Watson / AFP / CP
O presidente americano, Donald Trump, deu publicamente o seu apoio nesta quarta-feira a um projeto de lei redigido por dois senadores conservadores que restringe o acesso de imigrantes que não falem inglês ou tenham pouca formação trabalhista.

De acordo com os autores do projeto de lei, o novo critério -que adota o sistema de pontos para obter uma permissão de trabalho nos Estados Unidos- permitirá reduzir de aproximadamente um milhão para 50 MIL os imigrantes autorizados a entrar no país anualmente.

Durante uma cerimônia na Casa Branca, Trump assegurou que o projeto de lei, feito pelos senadores Tom Cotton e David Perdue, representa "a mais significativa reforma em nosso sistema migratório em meio século".

Para o presidente, o sistema de mérito proposto pelo projeto de lei favorecerá as pessoas que falem inglês, possam se manter financeiramente e demonstrem habilidades que contribuam com a economia americana. Por isso, assegurou, o novo sistema "reduzirá a pobreza, aumentará os salários e economizará bilhões de dólares dos contribuintes".

Fim do sorteio de vistos

No entanto, em nota oficial, a Casa Branca afirmou que, "em média, um milhão de imigrantes são aceitos para residir legalmente a cada ano, e a maioria deles são trabalhadores com baixa ou nenhuma capacitação".

O projeto de lei também elimina o famoso sorteio de vistos de trabalho para os Estados Unidos, e limita a extensão dos benefícios aos cônjuges e filhos menores de idade dos imigrantes autorizados, excluindo filhos adultos e outros membros da família.

A proposta também estabelece mecanismos para evitar que esses novos imigrantes possam receber benefícios sociais do Estado. "Não vão poder vir para cá e imediatamente receber ajuda [social]. Isso não vai acontecer", afirmou Trump.
O secretário de Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, por sua vez, declarou em nota que o projeto de lei apoiado por Trump ajudará a "acabar com o uso ilegal de nossos programas de benefícios públicos".

Nesta quarta-feira, um assessor de alto escalão da Casa Branca, Stephen Miller, insistiu que o projeto de lei agora apoiado por Trump se concentra exclusivamente na permissão de trabalho para estrangeiros, e não se propõe a atender a situação dos imigrantes em situação ilegal. De acordo com Miller, o projeto "não cobre trabalhadores convidados ou vistos temporários".

Recuperar a agenda

A questão migratória foi um dos pilares da campanha de Trump, que propôs construir um muro na fronteira com o México e expulsar do país os milhões de estrangeiros em situação ilegal.

A ideia do muro até agora não encontrou muitos adeptos no Congresso por conta do alto custo projetado para a sua construção, e a expulsão em massa de imigrantes quase não voltou a ser mencionada desde que Trump chegou à Casa Branca.

O presidente anterior, Barack Obama, impulsionou uma ambiciosa reforma do sistema migratório, que contemplava mecanismos e prazos para a regularização de estrangeiros não autorizados no país, um contingente mestimado em cerca de 12 milhões de pessoas.

Um projeto de lei chegou a ser aprovado na Câmara de Representantes, mas não conseguiu superar a oposição do Partido Republicano no Senado e acabou sendo esquecido. Dessa forma, ao expressar publicamente o seu apoio a este projeto de lei, o presidente busca voltar a colocar a questão migratória na agenda política.