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Trump celebra ritmo econômico e critica pedido de impeachment no Twitter

Processo contra o presidente norte-americano ganhou força esta semana nos EUA

Por
AE

Relatório entregue por democrata afirma relação ilegal de Trump com a Rússia

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou há pouco a queda dos pedidos de auxílio-desemprego. "Os pedidos semanais caíram ao menor nível em 50 anos. A economia está ÓTIMA", escreveu o mandatário em sua conta oficial no Twitter.

Ainda na rede social, Trump comentou o impasse em torno do pedido de impeachment apresentado nessa sexta-feira pela senadora democrata Elizabeth Warren, pré-candidata à presidência.

"Apesar do fato de que o relatório de Mueller não deveria ter sido autorizado e foi escrito da pior maneira possível por 13 (18) democratas enfurecidos e com ódio de Trump, incluindo o próprio Robert Mueller, o resultado final é de que não houve conluio nem obstrução", afirmou Trump em outra postagem. "A mídia mentirosa está fazendo de tudo para agitar e deixar as pessoas bravas. A mentira sobre a Rússia está morta", finalizou o presidente.

 

O pedido

O pedido de impeachment de Trump, com base no relatório de Mueller, ganhou força nessa sexta-feira em Washington. A senadora democrata Elizabeth Warren, pré-candidata à presidência, defendeu que os deputados comecem o processo. No mesmo dia, o presidente do Comitê de Justiça da Câmara, Jerry Nadler, intimou o Departamento de Justiça a entregar uma versão sem censura do relatório de Mueller. Depois de dois anos de investigação, o relatório de Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016 foi entregue aos congressistas com trechos censurados.

Apesar de Trump comemorar o que considera sua inocência, o texto aponta contatos entre os assessores e agentes russos. O relatório também mostra manobras de Trump contra a investigação e aponta que o presidente só foi mal sucedido em obstruir o caso porque seus assessores não cumpriram suas ordens.

O conteúdo das investigações reacendeu o debate sobre o impeachment de Trump. "O relatório apresenta fatos que mostram que um governo estrangeiro hostil atacou nossa eleição e Donald Trump recebeu essa ajuda. Uma vez eleito, ele obstruiu a investigação", escreveu Warren no Twitter.

Segundo ela, Mueller colocou o próximo passo nas mãos do Congresso. "O Congresso deve proibir o uso corrupto de sua autoridade por parte do presidente para proteger a integridade da administração da Justiça. O processo correto para exercer essa autoridade é o impeachment", escreveu a senadora.

No entanto, a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, tem adotado um discurso cauteloso com relação aos pedidos de impeachment. Após a declaração de Warren, a porta-voz de Pelosi afirmou que "é preciso dar um passo de cada vez".

Parte dos democratas no Congresso avalia que é hora de mudar a estratégia e abrir mão dos ataques ao republicano, com foco no debate de questões internas, rumo à eleição de 2020. Nos EUA, assim como no Brasil, um eventual pedido de impeachment precisa passar pela Câmara e depois pelo Senado.

Apesar de os democratas terem a maioria dos deputados, os republicanos têm mais senadores. Segundo analistas, ainda que o processo avançasse na Câmara, o impeachment seria barrado no Senado, a exemplo do que aconteceu com Bill Clinton, nos anos 90.

Já a intimação de Nadler ao Departamento de Justiça exige o material completo até o dia 1º de maio e aumenta o desgaste do secretário de Justiça, William Barr. Ele já vem sendo alvo de críticas por ter indicado que Mueller não apresentou indícios suficientes de obstrução de Justiça, em desacordo com parte do entendimento do procurador.

O Departamento de Justiça classificou a intimação como "prematura e desnecessária" e propôs arranjos com o Congresso para que alguns parlamentares tenham acesso a uma versão do texto com menos trechos censurados - a proposta foi recusada pelos democratas.

No documento de Mueller enviado aos congressistas, o Departamento de Justiça omitiu informações classificadas em quatro categorias, entre as quais estão fatos que podem prejudicar investigações em andamento. Nessa sexta, Trump usou o Twitter para criticar o relatório do procurador especial. Ele chamou o documento de 448 páginas de "Relatório Louco do Mueller" e falou em informações "fabricadas e totalmente falsas". "Grande perda de dinheiro e de energia", disse 
Trump, sobre a investigação.

O presidente americano, no entanto, foi alvo de integrantes do seu partido. Na sexta, o senador republicano Mitt Romney disse que estava "enojado" com as revelações da investigação. "Estou enojado com a extensão da desonestidade e da má orientação por parte dos indivíduos no mais alto cargo, incluindo o presidente", escreveu o senador, em comunicado.