O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 7, que não descarta o uso de força militar para tomar o controle do Canal do Panamá e da Groenlândia. Em entrevista coletiva de 70 minutos em Palm Beach, na Flórida, o republicano disse que os dois territórios são vitais para a segurança do país.
"Não vou me comprometer com isso", disse Trump, quando perguntado se descartaria o uso de força militar nos dois casos. "Pode ser que a gente tenha de fazer algo. O Canal do Panamá é vital para o país e precisamos da Groenlândia para fins de segurança nacional."
O desejo expansionista de Trump parece seguir sua mentalidade de tornar tudo o que controla tão grande quanto possível, remontando a uma série de aquisições que ele fez no final da década de 80. Nos últimos dias, ele tem falado repetidamente sobre a compra da Groenlândia e o domínio do Canal do Panamá.
O arroubo imperial de ontem veio com uma novidade: rebatizar o Golfo do México de "Golfo da América". Trump, no entanto, não explicou de que forma ele poderia concretizar a mudança de nome, mas rapidamente mudou de assunto e passou a culpar o vizinho pela imigração ilegal. "O México tem de impedir a entrada de milhões de pessoas no nosso país. Eles podem pará-los."
Canadá
Trump também voltou a ameaçar o Canadá, dizendo que o país deveria ser um Estado americano, porque os canadenses são sustentados pelos EUA. Desta vez, no entanto, ele disse que não utilizaria a força militar para anexar o vizinho, mas que usaria ferramentas econômicas.
"Por que sustentamos um país com mais de US$ 200 milhões por ano?", disse ele aos jornalistas. "As nossas Forças Armadas estão à disposição deles. Eles deviam ser um Estado." O presidente eleito ameaçou reduzir as importações de produtos canadenses - ele prometeu também impor tarifas altas à Dinamarca, se ela não der a Groenlândia aos EUA.
Não ficou claro até que ponto o futuro presidente estava falando sério, mas seu filho Donald Trump Jr. desembarcou ontem na Groenlândia com o jato do pai, levando uma comitiva de empresários e aliados. O filho de Trump garantiu que a visita era de cunho pessoal, que ele estava no território como "turista" e não pretendia se encontrar com nenhuma autoridade.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Múte Egede, respondeu dizendo que a Groenlândia "não está e nunca estará à venda". O premiê canadense, Justin Trudeau, também rejeitou a ideia de anexação. "Não há a menor hipótese de o Canadá vir a fazer parte dos EUA."
Benjamin Gaden, diretor do programa de América Latina do Wilson Center, de Washington, disse que as ameaças de Trump são vazias. "Se os EUA quiserem desrespeitar a lei internacional e agir como Vladimir Putin, podem invadir o Panamá e recuperar o canal", afirmou. "Mas ninguém veria isso como um ato legítimo e traria danos graves à imagem dos EUA, além de instabilidade à região."
Divagações
Na entrevista de ontem, o presidente eleito divagou ainda sobre outros assuntos, muitas vezes de maneira desconexa e incoerente. Ele reclamou da retirada apressada dos EUA do Afeganistão, criticou a forma como a Casa Branca de Joe Biden lidou com a guerra na Ucrânia e o conflito em Israel.
Trump, que toma posse no dia 20, também repetiu sua ameaça de não proteger os aliados da Otan, uma parte fundamental do pacto militar, se eles não aumentassem para 5% do PIB a fatia de gastos de cada um com a defesa - um patamar bem mais alto do que os 2% exigidos no seu primeiro mandato.
Em determinado momento, Trump falou durante mais de meia hora sem se concentrar em um único tema. Ele se queixou do foco de Biden nos carros elétricos. "Não sei o que acontece. Ele adora carros elétricos." Depois, ele reclamou de chuveiros que saem pouca água. "Eles ficam pingando, pingando, pingando. Então, temos de ficar dez vezes mais tempo no banho."
Energia dos ventos
No fim, Trump tocou em um de seus assuntos preferidos: seu ódio às turbinas eólicas. "Elas estão enlouquecendo as baleias", afirmou o presidente eleito, que prometeu não instalar mais nenhuma instalação eólica durante sua presidência.