O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um mentiroso inveterado que submete seu pessoal a um código de lealdade que o faz parecer um "chefe da máfia", afirma o ex-diretor do FBI James Comey em seu livro de memórias. Trechos do esperado livro "A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership" (Uma lealdade maior: verdade, mentiras e liderança) vazaram na última quinta-feira para a imprensa americana, dias antes de seu lançamento, nesta terça-feira.
As reuniões com Trump "me faziam lembrar da minha carreira anterior como procurador contra a máfia", escreve Comey, que foi demitido por Trump em maio de 2017. "O círculo silencioso de consentimento. O chefe no completo controle. Os juramentos de lealdade. Os Estados Unidos contra o resto do mundo. Mentir sobre tudo, coisas grandes e pequenas, a serviço de um código de lealdade que coloca a organização acima da moralidade e da verdade", afirmou.
Segundo Comey, citado pelo jornal The Washington Post, o presidente vive "em um casulo de realidade alternativa", para o qual tenta atrair outras pessoas. "O presidente não tem ética e está desconectado da verdade e dos valores institucionais", escreve Comey, de acordo com The New York Times. "Sua liderança é transacional, impulsionada pelo ego e sobre lealdade pessoal", completou.
Segundo The New York Post, o livro revela ainda que Trump tinha obsessão sobre a suposta existência de um vídeo no qual prostitutas russas urinam em uma cama de hotel em Moscou em 2013 onde ele estaria. O vídeo, citado por um ex-agente britânico durante contatos com adversários do então candidato republicano, foi considerado crível pela Inteligência americana, mas sua autenticidade acabou finalmente questionada.
De acordo com Comey, o presidente pediu que investigasse "o que chamou de golden shower (chuva dourada)", e estava determinado a provar a sua mulher, Melania, que o tal vídeo não existia. "Me explicou porque (o vídeo) não poderia ser verdadeiro e que queria a investigação para provar que era uma mentira", finalizou.
Trump criticou ex-diretor do FBI após livro revelar pressão sobre caso Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esbravejou contra o ex-diretor do Escritório de Investigação Federal (FBI, na sigla em inglês), James Comey, nesta sexta-feira em sua conta no Twitter, chamando-o de mentiroso e dizendo que foi uma honra demiti-lo. O ataque é motivado pelo novo livro de Comey, no qual ele relata que Trump tentou pressioná-lo em relação à investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições presidenciais.
"Ele vazou informações sigilosas, pelas quais ele deveria ser processado. Ele mentiu ao Congresso sob juramento. É um fraco e um mentiroso e que foi, como o tempo provou, um péssimo diretor do FBI", escreveu Trump. Comey foi demitido por Trump em maio do ano passado. Na carta de demissão, Trump disse que o ex-diretor não era capaz de comandar o FBI. Ele foi substituído interinamente por Andrew McCabe e, depois, por Christopher A. Wray.
Trump comanda Casa Branca como "chefe da máfia", revela ex-diretor do FBI
Em trechos de livro, James Comey relatou mentiras, códigos de lealdade e falta de valores institucionais