Trump culpa democratas e nega interferência russa na eleição de 2020
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Trump culpa democratas e nega interferência russa na eleição de 2020

Agências de Inteligência americanas publicaram documento afirmando que Moscou trabalha para influenciar pleito

Por
AFP

Republicano afirmou que adversários buscam promover campanha de desinformação


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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como "farsa" montada por seus adversários democratas,um relatório das agências de Inteligência americanas, segundo o qual a Rússia está interferindo nas eleições de 2020 no país. O documento foi divulgado durante uma sessão a portas fechadas no Congresso americano. "Outra campanha de desinformação está sendo lançada pelos democratas do Congresso, dizendo que a Rússia prefere a mim a qualquer outro candidato dos democratas que não fazem nada", tuitou Trump. "Farsa número 7!", sentenciou, sem explicar a que se referia com este número.

Os congressistas democratas expressaram novas preocupações, depois de receberem um informe confidencial do então diretor interino de Inteligência Nacional Joseph Maguire. No documento, o funcionário estaria advertindo que a Rússia voltou a intervir nas eleições presidenciais nos EUA, com a esperança de ajudar Trump a conseguir seu segundo mandato. O jornal "The New York Times" informou que Trump recriminou Maguire na semana passada pelo fato de a reunião ter acontecido e, na quinta-feira, o diretor foi afastado do cargo.

Segundo o jornal, Trump ficou particularmente descontente com a participação nessa sessão, que data de 13 de fevereiro, de Adam Schiff, o democrata que conduziu a investigação que desencadeou sua acusação no Congresso. Trump já havia manifestado seu incômodo, depois que a comunidade de Inteligência expressou, publicamente, que a Rússia interferiu na campanha de 2016 - inclusive com estratégias de manipulação das redes sociais - para apoiar a campanha de Trump frente à sua então adversária democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

"Contamos com os serviços de inteligência para informar o Congresso sobre qualquer ameaça de interferência estrangeira em nossas eleições. Se a informação for verdadeira e o presidente interferir, estará novamente comprometendo nossos esforços para impedir toda interferência estrangeira. Tal como avisamos", tuitou Schiff. A Rússia, por sua vez, rejeitou as novas acusações da inteligência americana, cujos detalhes ainda não são conhecidos, e chamou de "paranoia". "Não tem nada a ver com a verdade", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, denunciando "novas mensagens paranoicas que, infelizmente, se tornarão mais comuns à medida que as eleições se aproximam" nos Estados Unidos.


Moscou sempre negou qualquer envolvimento na campanha eleitoral de 2016, com a ajuda de hackers e trolls russos nas redes sociais, apesar do consenso das agências federais americanas de que houve interferência. Trump sempre ressaltou que não precisava da ajuda de Moscou para chegar à Casa Branca. "O presidente nega interferência estrangeira nas eleições há três anos porque seu ego não pode aceitar que a Rússia tenha intervindo a seu favor", disse o democrata Bennie Thompson, presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara de Representantes. Para substituir Maguire, Trump escolheu Richard Grenell, atual embaixador dos EUA na Alemanha, que, segundo os democratas, carece da experiência necessária para uma posição em que supervisionará 17 agências federais, incluindo a CIA.