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Trump dá prazo até domingo para Hamas para aceitar acordo sobre Gaza

Hamas informou aos mediadores que "as consultas continuam e que é necessário mais tempo"

Trump endureceu o tom e emitiu um ultimato final ao Hamas
Trump endureceu o tom e emitiu um ultimato final ao Hamas Foto : AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o tom e emitiu um ultimato final ao Hamas nesta sexta-feira (3) para que o grupo aceite seu plano de paz para Gaza. O prazo limite estabelecido por Trump é domingo (5) às 19h00 (horário de Brasília).

Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump alertou: "O Hamas tem até domingo à noite, às 18h (horário de Washington, D.C.)". Ele ameaçou com severas consequências: "Se este ACORDO FINAL não for alcançado, um INFERNO TOTAL, como ninguém jamais viu, se desencadeará sobre o Hamas."

Hamas pede mais tempo

O ultimato ocorre em meio a pedidos de extensão do prazo por parte do Hamas. Um líder da alta cúpula do movimento islamista palestino afirmou à AFP que o grupo precisa de mais tempo para estudar o plano de paz, que é apoiado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O Hamas informou aos mediadores que "as consultas continuam e que é necessário mais tempo", apesar de o presidente americano ter dado um prazo inicial de "três ou quatro dias" na terça-feira. Mohamad Nazal, membro do conselho político do Hamas, confirmou que o plano apresenta pontos de preocupação. "Estamos em contato com os mediadores e com as partes árabes e islâmicas, e levamos muito a sério a possibilidade de alcançar um acordo. Em breve anunciaremos nossa posição," explicou.

Pontos cruciais

O plano de paz esboçado por Trump inclui cláusulas importantes, como:

  • Um cessar-fogo imediato.
  • A libertação dos reféns israelenses em 72 horas.
  • O desarmamento do Hamas.
  • A retirada gradual do Exército de Israel de Gaza.

As negociações enfrentam obstáculos internos no Hamas. Uma fonte próxima às conversas revelou a existência de "duas opiniões":

  • Uma vertente apoia a aprovação incondicional, priorizando um cessar-fogo sob as garantias dos EUA.
  • A segunda tem reservas importantes, rejeitando o desarmamento e a expulsão de qualquer palestino de Gaza, e defende uma aprovação condicionada a esclarecimentos sobre as demandas do grupo.

O Hamas também busca alterar cláusulas como o desarmamento e a expulsão de seus líderes, além de exigir garantias internacionais para uma retirada completa de Israel da Faixa de Gaza.

Crise humanitária

Enquanto o prazo de Trump se esgota, a Defesa Civil de Gaza relata intensos bombardeios israelenses. O Exército de Israel lançou uma grande ofensiva para tomar o maior núcleo urbano de Gaza, forçando o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.

O porta-voz da Unicef, James Elder, alertou que as zonas designadas por Israel no sul para evacuação são "locais de morte", e que não há nenhum lugar seguro.

A crise humanitária e a guerra, que resultaram na morte de pelo menos 66.225 pessoas em Gaza e 1.219 em Israel, têm gerado protestos crescentes. A Marinha israelense interceptou uma flotilha que transportava ajuda humanitária a Gaza, detendo mais de 400 ativistas, e iniciou a deportação dos envolvidos, incluindo quatro cidadãos italianos.