* Com informações da AE
O presidente Donald Trump denunciou nesta sexta-feira, ante membros da comunidade cubana em Miami, o caráter brutal do regime em Cuba. No discurso, criticou o acordo assinado por Barack Obama, que "não ajuda aos cubanos e enrique o governo". "Agora que sou presidente dos Estados Unidos denunciarei os crimes do regime de Castro", afirmou, destacando os sofrimentos dos cubanos "durante cerca de seis décadas".
"Sabemos o que acontece e lembramos o que aconteceu", acrescentou. Também assegurou que convém aos Estados Unidos "ter liberdade em nossa região, tanto em Cuba como na Venezuela". O presidente americano defendeu "um futuro onde as pessoas de cada país possam viver seus sonhos". "O regime Castro enviou armas à Coreia do Norte e incentivou o caos na Venezuela", afirmou, referindo-se aos protestos contra o governo de Caracas que desde 1o. de abril deixou 72 mortos. Também pediu que o regime cubano liberte os presos políticos e prometeu um acordo melhor para cubanos e para os Estados Unidos.
Apesar da declaração, Trump reviu apenas questões pontuais da política anunciada por Barack Obama no dia 17 de dezembro de 2014. As mudanças acabam com a possibilidade de viagens individuais para a ilha e proíbem gastos em estabelecimentos turísticos controlados pelo Exército e os setores de inteligência e segurança do país. "Lucros provenientes do turismo foram diretamente para as forças armadas", afirmou.
Além da reversão desses pontos, a grande transformação foi de tom e na sinalização do futuro da relação bilateral. Enquanto Obama defendeu o levantamento do embargo, Trump prometeu reforçá-lo. A agressividade retórica contra o governo de Raúl Castro também indica uma desaceleração do ritmo de normalização das relações bilaterais.
Trump disse que as sanções não serão levantadas até que todos os presos políticos do país estejam livres, que os partidos políticos sejam legalizados, que a liberdade de expressão seja restabelecida e que eleições livres e sujeitas à supervisão internacional sejam marcadas. "O governo cubano precisa parar de prender pessoas inocentes e deve abrir o seu mercado ao livre comércio", completou.
O anúncio foi realizado no Teatro Manuel Artime, batizado em homenagem a um dos veteranos da invasão da Baía dos Porcos, uma operação fracassada patrocinada pela CIA em 1961 com o objetivo de derrubar o governo Fidel Castro. O presidente chamou ao palco três dissidente que passaram mais de uma década na prisão em Cuba. No início de seu discurso, o presidente disse que a líder das Damas de Branco, Berta Soler, e o ativista José Ferrer foram impedidos pelo governo da ilha de viajar a Miami para participar do anúncio.
Trump denuncia o caráter "brutal" do regime cubano
Presidente criticou o acordo assinado por seu antecessor Barack Obama