O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (26) que aumentará as tarifas sobre vários produtos sul-coreanos e acusou o país asiático de "não estar à altura" de um acordo comercial anterior firmado com Washington. As tarifas dos Estados Unidos sobre a Coreia do Sul passariam de 15% para 25%.
“Dado que o Poder Legislativo da Coreia não promulgou nosso Histórico Acordo Comercial, o que é sua prerrogativa, por meio desta aumento as TARIFAS da Coreia do Sul sobre automóveis, produtos madeireiros, farmacêuticos e todas as demais TARIFAS recíprocas”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
O gabinete do presidente da Coreia do Sul informou que não foi avisado previamente sobre os planos da Casa Branca de elevar as tarifas. Segundo a presidência sul-coreana, o ministro do Comércio, Kim Jung-kwan, que está em viagem ao Canadá, irá a Washington para se reunir com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, a fim de discutir o assunto.
A aparente mudança de postura do líder americano ocorre meses depois de Washington e Seul terem alcançado um acordo comercial e de segurança, após um período de negociações tensas. O acordo foi fechado depois que Trump se reuniu com seu homólogo sul-coreano, Lee Jae Myung, em outubro. Ele incluiu promessas de novos investimentos por parte da Coreia do Sul, além de reduções tarifárias por parte dos Estados Unidos.
Pelo pacto, Washington manteria tarifas de até 15% sobre produtos sul-coreanos, incluindo veículos, autopeças e produtos farmacêuticos. Os termos do acordo reduziram as tarifas americanas sobre automóveis sul-coreanos a partir de um nível de 25%. Caso a ameaça mais recente de Trump seja aplicada, esse avanço seria revertido.
A indústria automobilística representa 27% das exportações da Coreia do Sul para os Estados Unidos, que recebem quase metade das exportações de automóveis do país asiático. Um retorno a tarifas mais elevadas colocaria as exportações sul-coreanas em posição menos vantajosa em relação a outras economias, como Japão e União Europeia, que firmaram acordos para tarifas americanas de 15%.
A administração Trump ainda não emitiu notificações formais para aplicar essas mudanças.
A ameaça do presidente americano dirigida à Coreia do Sul é a mais recente contra parceiros comerciais estratégicos nos últimos dias.
Durante o fim de semana, Trump advertiu o Canadá de que, se concluir um novo acordo comercial com a China, imporá tarifas de 100% sobre todos os produtos que cruzarem a fronteira.
No início de janeiro, Trump também ameaçou impor tarifas a vários países europeus que se opusessem à sua intenção de comprar a Groenlândia. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ele retirou a ameaça.