Mundo

Trump diz que fim do acordo nuclear iraniano é "possibilidade real"

Presidente declarou que nova fase começa e que pode ser "muito positiva"

Presidente declarou que nova fase começa e que pode ser "muito positiva"
Presidente declarou que nova fase começa e que pode ser "muito positiva" Foto : Saul Loeb / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o fim do acordo nuclear com o Irã é "uma possibilidade real", três dias após anunciar que não certificaria o cumprimento dos compromissos por parte de Teerã.

"Em me sinto bem pelo que fiz. Estou cansado de que se aproveitem de mim", disse à imprensa em alusão ao acordo de 2015, que visa a evitar que o Irã desenvolva uma bomba atômica, antes de uma reunião de seu gabinete na Casa Branca. "Pode haver um fim completo do acordo, é uma possibilidade real", declarou Trump, acrescentando que uma nova fase começa e que pode ser "muito positiva". "Veremos o que vai acontecer", acrescentou.

Trump considera que o acordo assinado entre o Irã e as potências do grupo 5+1 - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - foi uma conquista dos "excelentes negociadores" iranianos. Mas sua posição contrasta com a do bloco europeu, que cerrou fileiras em defesa do pacto, um marco "importante na luta contra a proliferação" atômica, nas palavras, nesta segunda-feira, do chanceler francês, Jean-Yves Le Drian.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, anunciou que viajará "no começo de novembro" para Washington para convencer os congressistas a não se retirar deste acordo histórico, negociado durante mais de uma década.

Os aliados europeus, alarmados, advertiram que as palavras de Trump "poderiam afetar negativamente a possibilidade de abrir negociações ou abrir inclusive espaço para negociações" com a Coreia do Norte, segundo Mogherini. "Se já não respeitar este compromisso, como querem persuadir a Coreia do Norte de se sentar ao redor de uma mesa para encontrar uma solução?", questionou-se o chanceler luxemburguês, Jean Asselborn.

"Um acordo horrível"

Trump insistiu, no entanto, em que as autoridades iranianas "negociaram um acordo fantástico para eles, mas um acordo horrível para os Estados Unidos". O presidente do Irã, Hassan Rohani, lembrou na sexta-feira passada que o pacto "não é modificável" e que "não se pode agregar a ele nenhum artigo", além de que "não é um acordo bilateral".

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que até o momento o governo iraniano cumpre com seus compromissos, razão pela qual a negativa de Trump a certificar o acordo abre um período de grande incerteza. O Congresso americano tem agora 60 dias para voltar a impor ou não as fortes sanções econômicas contra Teerã, suspensas em 2016, conforme o previsto no acordo.