O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira, 4, que "União Europeia, China, Brasil, México e Canadá nos cobram tarifas injustas" no comércio exterior.
"No dia 2 de abril, tarifas recíprocas serão adotadas. Não deixaremos mais que os Estados Unidos sejam roubados por outros países. Não pagaremos mais subsídios de centenas de bilhões de dólares ao Canadá e México."
Trump destacou que "tivemos US$ 1,7 trilhão de investimentos nos EUA nas últimas semanas" e citou o exemplo da fabricante taiwanesa de processadores TSMC, que "investirá US$ 100 bilhões nos Estados Unidos porque não quer pagar tarifas". "Uma nova política comercial será ótima para os fazendeiros" americanos, completou o presidente.
O governo americano deixou as portas abertas para um compromisso na guerra comercial pelas tarifas impostas a Canadá e México, segundo o secretário de Comércio Howard Lutnick, que garante que o presidente Donald Trump "está ouvindo".
Em entrevista à Fox News, Lutnick contou que tem conversado por telefone com mexicanos e canadenses "todo o dia". "O presidente está ouvindo [...] Assim que acredito que vai encontrar uma solução com eles. Não será uma pausa", acrescentou, dando a entender que se chegará a um ponto intermediário.
Este é um primeiro gesto de apaziguamento depois que Trump ameaçou ir ainda mais longe com as importações canadenses se Ottawa aplicasse medidas de represália.
Durante a noite, no entanto, Trump defendeu sua política tarifária. "As tarifas não servem apenas para proteger os empregos americanos. Servem para proteger a alma do nosso país", disse o republicano em seu primeiro discurso ao Congresso desde que retornou à Casa Branca em janeiro. "Haverá algumas perturbações, mas estamos bem com isso. Não serão muitas", acrescentou.
As novas tarifas aduaneiras aumentaram o preço de alguns produtos, como abacates, camisetas e automóveis, e afetam outros como a cerveja e a tequila. Os produtos importados de Canadá e México, parceiros dos Estados Unidos no acordo de livre-comércio da América do Norte T-MEC, terão tarifas de 25%, e de 10% sobre os hidrocarbonetos canadenses.
No caso da China, a taxação adicional chega a 20%, em comparação com as tarifas que vigoravam antes de Trump retornar ao poder em janeiro. Pequim respondeu de imediato, anunciando que vai impor taxas suplementares de 10% e 15% sobre vários produtos alimentícios dos Estados Unidos, como soja, trigo e frango.
Washington critica a China pelo que classifica de "incapacidade" para "combater a avalanche de fentanil", um opioide sintético que mata dezenas de milhares de pessoas por ano nos Estados Unidos.
Quanto a Canadá e México, Trump que pressionar seus vizinhos para que aumentem a vigilância de suas fronteiras em relação à entrada de drogas e de imigrantes em situação irregular.
Os dois países tomaram medidas no último mês, mas Trump as considerou insuficientes. Segundo analistas, estas são as tarifas mais altas desde a década de 1940. E as reações não tardaram a chegar.