O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, se reuniram neste domingo, 28, na Flórida, para discutir o plano de paz que busca encerrar a guerra iniciada pela Rússia em 2022. O encontro durou mais de três horas e terminou sem anúncios concretos ou avanços imediatos.
Mesmo sem resultados práticos, Trump adotou um tom positivo ao final da reunião e disse acreditar que um acordo para encerrar o conflito está próximo. O presidente americano afirmou que as negociações avançaram nas últimas semanas, embora tenha reconhecido a existência de entraves complexos.
Zelensky, por sua vez, manteve uma postura cautelosa e evitou confrontos, reforçando a disposição da Ucrânia em continuar o diálogo.
Segundo Trump, as conversas seguem em andamento e novas rodadas de negociação devem ocorrer nas próximas semanas. Veja, abaixo, os principais pontos do encontro:
1. Sem anúncio de acordos
Embora tenha sido tratado como uma reunião estratégica, o encontro não resultou em um acordo nem em decisões práticas sobre o fim da guerra. Trump deixou claro que não há prazo para o encerramento do conflito e ressaltou a complexidade do processo.
“Não há um cronograma”, afirmou o presidente americano. Segundo ele, ainda restam “uma ou duas questões muito espinhosas” a serem resolvidas. Trump admitiu que o processo pode levar semanas e até “não acontecer”, reconhecendo que se trata de “algo muito complicado”.
2. Discurso de confiança, apesar da falta de avanços
Mesmo sem anúncios concretos, Trump adotou um tom otimista ao final da reunião. Disse acreditar que a paz está “mais perto do que nunca” e que as partes estão nos “estágios finais” das negociações.
“Acho que estamos muito mais próximos, talvez muito perto”, declarou. Zelensky, por sua vez, evitou confrontos e reforçou uma postura de cooperação, agradecendo a Trump e sinalizando disposição para seguir dialogando após encontros anteriores marcados por tensão.
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3. Putin não participou, mas influenciou o encontro
O presidente russo, Vladimir Putin, não esteve presente, mas foi figura central nas discussões. Antes de se reunir com Zelensky, Trump conversou por telefone com Putin por mais de uma hora e afirmou que pretende voltar a falar com o líder russo.
Trump disse acreditar que Putin “leva a paz a sério” e afirmou que o presidente russo “quer ver isso acontecer”. A postura gera preocupação entre aliados da Ucrânia, que veem o presidente americano como excessivamente receptivo às posições de Moscou.
4. Os “10%” que travam o acordo
Segundo Zelensky, cerca de 90% do plano de paz já estaria acordado. “Noventa por cento está resolvido”, afirmou o presidente ucraniano, repetindo um número citado por autoridades americanas.
Os 10% restantes concentram os principais impasses, como o futuro da região de Donbass, as concessões territoriais e o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia. Trump sugeriu que é melhor fazer um acordo agora do que correr o risco de novas perdas territoriais, enquanto Zelensky condiciona qualquer concessão a um cessar-fogo e a um referendo popular.
5. Garantias de segurança no centro do debate
As garantias de segurança continuam sendo um dos principais pontos do diálogo. Segundo Zelensky, os Estados Unidos ofereceram à Ucrânia garantias consideradas “sólidas” por um período de 15 anos, com possibilidade de prorrogação.
O presidente ucraniano afirmou ter pedido a Trump um prazo mais longo, de até 30, 40 ou 50 anos, e afirmou que o americano respondeu que analisaria a proposta.
Zelensky também disse que a Ucrânia só suspenderá a lei marcial após o fim da guerra e mediante garantias formais de segurança. “Sem garantias de segurança, não se pode dizer que a guerra realmente acabou”, declarou.