O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou, no final da noite desta terça-feira o juiz Neil Gorsuch para ocupar uma vaga na Suprema Corte do país. Com a escolha, a Suprema Corte dos Estados Unidos ficará com uma formação de maioria conservadora, o que pesará na hora de decidir questões importantes no futuro, como o aborto, o uso de armas pelos cidadãos e a restrição ou ampliação dos direitos das religiões.
O presidente Donald Trump tinha dois "finalistas" para sua indicação ao Supremo Tribunal - e ambos estavam na Casa Branca no momento da escolha: Neil Corsuch, que é do estado do Colorado, e Thomas Hardiman, juiz da Pensilvânia. Desde cedo, Trump tinha alertado os jornalistas para a importância da escolha. "Estaremos anunciando um juiz do Supremo Tribunal e acho que todo mundo vai ficar impressionado", disse. Neil Corsuch é visto no meio jurídico americano como um intérprete da leitura fiel da Constituição como uma forma para resolver questões polêmicas.
A indicação de Trump, que precisa ainda ser confirmada pelo Senado, visa a ocupar a vaga deixada pelo juiz Antonin Scalia, que morreu em fevereiro do ano passado. Em 2016, o presidente Obama havia nomeado o juiz Merrick Garland para a vaga, mas os republicanos do Senado, que são maioria na Casa, se recusaram a aprovar sua nomeação. Eles queriam que o resultado das eleições de novembro para presidente dos Estados Unidos determinasse a escolha do novo juiz.
Gorsuch se formou em Direito em Columbia, Harvard e Oxford (Inglaterra). Em Washington, chegou a trabalhar no Departamento de Justiça no governo de George W. Bush, que o designou para o tribunal federal de Apelações de Denver. É autor de um livro sobre a moralidade e sobre os argumentos legais contra a eutanásia. Apoia empresas que se negam a pagar métodos contraceptivos para seus funcionários.
A Suprema Corte é a última instância a interpretar a Constituição e deve tomar decisões sobre temas muito sensíveis, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e posse de armas. Com Trump, a instituição dá uma guinada para a direita, o que agradará aos americanos mais religiosos, aos defensores da posse de armas e da pena de morte, assim como a uma parte do empresariado.
Rejeição democrata
Depois da morte do juiz Scalia, um pilar da direita conservadora, o então presidente Barack Obama propôs em março passado o juiz Merrick Garland para ocupar a cadeira. Dominado pelos republicanos, o Senado se negou a agendar audiência para sua sabatina. As reações já começaram a surgir. Temendo os efeitos de uma Suprema Corte conservadora, o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, propôs na segunda-feira que o direito ao aborto seja incluída na Constituição estadual para garanti-lo "de uma vez por todas".
Os democratas já prometeram que vão brigar em Washington. Seu líder no Senado, Chuck Schumer, garantiu que se oporá de todas as maneiras possíveis à decisão de Trump. Nancy Pelosi, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, afirmou que Gorsuch é "hostil ao direito das mulheres" e que as consequências de sua confirmação "não poderiam ser mais importantes ou trascendentes". "O histórico do juiz Gorsuch revela que tem posições radicais, muito afastadas da corrente dominante do pensamento legal americano", completou Os republicanos têm 52 cadeiras no Senado, mas precisam de pelo menos 60 votos para apoiar o juiz indicado por Trump.
Trump escolhe novo juiz e Suprema Corte dos EUA fica mais conservadora
Juiz irá ocupar a vaga de Anton Scalia, que morreu em fevereiro do ano passado